Um consórcio liderado pela China construirá um complexo pré-fabricado nos Andes para o projeto de cobre Vicuña. Entenda a escala e a polêmica da obra.
Olyvio Marques
Editor · Mundo · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma cidade inteira, com módulos fabricados na China, será construída em uma área remota da Cordilheira dos Andes, na Argentina, para apoiar um dos maiores projetos de mineração da América do Sul. Atualizado em 22 de junho de 2026, o complexo habitacional servirá ao projeto Vicuña e foi projetado para abrigar até 5 mil trabalhadores em regime de rotação.
A estrutura não será uma cidade convencional, mas um acampamento de mineração em grande escala, localizado na província de San Juan. Segundo fontes da indústria, o complexo dará suporte ao projeto Vicuña, focado na extração de cobre, ouro e prata em uma região de alta montanha próxima à fronteira com o Chile. A iniciativa visa fornecer alojamento e serviços essenciais para os milhares de funcionários que trabalharão nas minas.
O empreendimento é considerado um dos maiores investimentos estrangeiros na história da Argentina, com potencial para transformar o país em um grande produtor global de cobre, mineral essencial para a transição energética.
A cidade será montada com módulos pré-fabricados, ou "casas contêiner", que chegarão prontos ou semiprontos da China para serem montados no local. Esta primeira fase, que representa cerca de 25% do acampamento permanente, prevê a instalação de 2.500 leitos no complexo Batidero. A estrutura incluirá:
A construção foi adjudicada a um consórcio formado pela estatal chinesa PowerChina, a fabricante Beijing Chengdong e a empresa argentina RAFA S.A., que cuidará das obras em campo, como fundações e montagem.
A decisão de importar a maior parte da estrutura gerou controvérsia entre empresários locais. O consórcio liderado pela PowerChina venceu a licitação com uma oferta de US$ 52 milhões, superando a proposta de US$ 70 milhões de uma empresa argentina. Câmaras de fornecedores manifestaram preocupação com a perda de uma oportunidade estratégica para a indústria nacional.
Críticos argumentam que a fabricação local do complexo poderia ter gerado cerca de 500 empregos diretos no país. Em resposta, a mineradora responsável pelo projeto Vicuña afirmou que a proposta vencedora atendeu melhor aos critérios técnicos, de segurança, prazo e custo, e que continua priorizando a mão de obra local, com mais de 95% de sua força de trabalho atual sendo argentina.
O projeto Vicuña visa explorar um dos maiores depósitos de cobre do mundo, localizado na Cordilheira dos Andes. O cobre é um metal estratégico para a fabricação de veículos elétricos, redes de energia e outras tecnologias ligadas à transição energética.
A fase inicial terá capacidade para 2.500 camas, atendendo a uma circulação de até 5.000 trabalhadores em regime de rotação. Projeções futuras indicam que a demanda pode chegar a 12.000 trabalhadores, exigindo a expansão do complexo.
A construção modular acelera significativamente a implantação da infraestrutura em locais remotos e de difícil acesso, como a alta cordilheira. Os módulos chegam prontos para montagem, reduzindo o tempo de obra, desperdícios e custos, como evidenciado pela diferença de preço entre as propostas de licitação.
A cidade modular na Argentina representa um marco de engenharia e logística, viabilizando um megaprojeto de mineração em um ambiente extremo. Ao mesmo tempo, a iniciativa acende um importante debate sobre o equilíbrio entre atrair investimentos estrangeiros e fomentar o desenvolvimento da indústria e da mão de obra local em projetos estratégicos.
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