Um funcionário público britânico é acusado de acumular 8 empregos em home office, somando 183 horas semanais. Ele nega fraude de R$ 2,3 milhões e o uso de maquiagem.
Olyvio Marques
Editor · Mundo · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um funcionário público britânico, Kashim Chowdhury, de 55 anos, está sendo julgado por supostamente acumular oito empregos públicos simultaneamente, aproveitando o regime de home office. Atualizado em 22 de outubro de 2026, o caso revela que ele teria recebido quase £350 mil (cerca de R$ 2,36 milhões) entre 2020 e 2023. Chowdhury nega as nove acusações de fraude e alegações de que usou maquiagem branca para fingir doença em uma videochamada.
De acordo com a promotoria, Kashim Chowdhury explorou o trabalho remoto, intensificado após a pandemia, para manter vínculos com oito órgãos públicos diferentes entre fevereiro de 2020 e setembro de 2023. Em seu auge, os contratos somavam 183 horas de trabalho por semana, um número superior às 168 horas que uma semana possui, conforme reportado pelo Daily Mail. A acusação afirma que ele omitia seus outros empregos nos processos de contratação para garantir as vagas.
Entre os empregadores estavam o Ministério do Interior, a Agência de Padrões Alimentares e o Departamento de Comércio do Reino Unido. Para administrar a carga de trabalho, Chowdhury supostamente usava licenças médicas e a justificativa de que precisava cuidar de sua mãe idosa para trabalhar de casa, segundo a acusação apresentada no Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres.
Um dos episódios mais inusitados do caso ocorreu em maio de 2023. Durante uma reunião online para discutir suas ausências, uma supervisora notou uma substância branca no rosto de Chowdhury, que parecia se desfazer com o suor. A promotoria alega que ele usou maquiagem para simular uma doença, o que ele nega veementemente, afirmando que estava apenas resfriado.
O desempenho de Chowdhury também foi questionado por diversos gestores. Relatos no tribunal descrevem um funcionário com produtividade "muito ruim", que entregava trabalhos de baixa qualidade, faltava a reuniões e parecia incapaz de realizar tarefas básicas. Uma gerente da Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA) afirmou que um relatório feito por ele era "muito incompleto" e parecia ter trechos copiados e colados.
Em seu depoimento, Kashim Chowdhury admitiu ter cometido erros no preenchimento de formulários, mas negou qualquer intenção de cometer fraude. Ele atribuiu suas ações ao transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), diagnosticado em 2015 e cujos sintomas teriam retornado em 2021. Segundo sua defesa, ele estava sob "grande trauma e angústia" e buscava estabilidade profissional, o que o levou a se candidatar a centenas de vagas.
Chowdhury também afirmou que a piora na saúde de sua mãe o levou a aceitar múltiplas propostas de emprego e que seus superiores estavam cientes de seus outros vínculos. O julgamento ainda está em andamento, e o júri avaliará as provas para determinar se houve conduta criminosa.
Ele responde a nove acusações de fraude por supostamente ter acumulado oito empregos públicos, recebendo salários simultâneos que somam quase £350 mil (R$ 2,36 milhões) ao omitir seus múltiplos vínculos empregatícios.
Chowdhury nega as acusações de fraude. Ele alega que cometeu erros em formulários devido a estresse pós-traumático e angústia pessoal, e que não agiu com intenção de enganar os empregadores.
Não. O julgamento de Kashim Chowdhury continua no Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres, e ainda não há um veredito final.
O caso de Kashim Chowdhury levanta um debate sobre a fiscalização do trabalho remoto no setor público e os desafios para verificar os vínculos de funcionários. Enquanto a acusação aponta para um esquema deliberado de fraude, a defesa alega problemas de saúde mental e erros não intencionais. O veredito do júri será decisivo para esclarecer os fatos.
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