Após reunião com o Papa, a Conferência Episcopal de Moçambique expressou preocupação com a falta de informações oficiais sobre o assassinato do bispo. Saiba mais.
Olyvio Marques
Editor · África · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) manifestou publicamente sua preocupação com a falta de comunicação oficial sobre os contornos da morte de Dom Osório Citora Afonso, assassinado em junho. Atualizado em 10 de julho de 2026. Em coletiva de imprensa após uma audiência com o Papa Leão XIV, o arcebispo Dom Inácio Saúre revelou que a Igreja ainda aguarda respostas das autoridades para perguntas cruciais: quem matou o bispo, quem foi o mandante e quais as motivações do crime.
O posicionamento foi divulgado na quinta-feira (9) por Dom Inácio Saúre, Arcebispo de Nampula e Presidente da CEM, que afirmou ter partilhado com o Papa a angústia de não receber nenhuma informação oficial, sabendo do caso apenas pelo que a imprensa divulga. A única informação confirmada pelas autoridades é que o bispo foi morto com uma arma de fogo de alto calibre, descrita como uma "arma de guerra".
O Vice-presidente da CEM, Dom João Carlos Hatoa Nunes, também questionou a origem da arma, lembrando que "no final da sua formação, a Igreja não entrega uma arma ao sacerdote, entrega uma bíblia".
Os bispos expressaram inquietação com as narrativas que circulam na mídia e redes sociais, que sugerem que o assassinato foi resultado apenas de tensões internas na Igreja. Dom Saúre alertou que limitar a investigação a uma disputa interna ignora problemas sociais mais amplos do país, como "a banalização da vida humana, a corrupção e situações em que algumas pessoas procuram resolver conflitos através de vingança ou violência".
Paralelamente, a Igreja iniciou um processo de reflexão sobre desafios internos, como a necessidade de coerência entre o que se prega e o que se vive, e a influência de "padrinhos" financeiramente poderosos sobre seminaristas, que podem condicionar a liberdade dos futuros padres.
Durante a audiência no Vaticano, os arcebispos moçambicanos receberam conforto do Papa Leão XIV, que os encorajou a não cair no desespero. A delegação, que também incluía o arcebispo Cláudio Dalla Zuanna, se reuniu com o Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, que reiterou a solidariedade da Santa Sé.
Dom Saúre enfatizou que a busca pela verdade é um "caminho de purificação" e que a Igreja está disposta a cooperar plenamente com as autoridades, desde que o processo seja transparente e genuinamente comprometido com a verdade.
Dom Osório Citora Afonso, de 54 anos, era Bispo de Quelimane e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira. Membro dos Missionários da Consolata, ele havia trabalhado no Dicastério para a Evangelização no Vaticano entre 2017 e 2023 antes de assumir suas funções em Moçambique.
Ele foi encontrado morto em sua residência episcopal na madrugada de 6 de junho de 2026, vítima de um disparo de arma de fogo do tipo AKM no peito. Os criminosos teriam desativado o sistema de segurança para entrar no local.
A Conferência Episcopal de Moçambique exige uma investigação "imediata, completa, transparente e independente", cobrando que as autoridades identifiquem e responsabilizem os autores materiais e intelectuais do crime. A principal preocupação é a falta de comunicação oficial por parte dos investigadores.
Apesar da dor e da falta de respostas, os bispos moçambicanos afirmam que a morte de Dom Osório, a quem descrevem como um "mártir da fé", deve se tornar um caminho para a verdade, reconciliação e renovação para a Igreja e para o país. O apelo final é por responsabilidade na divulgação de informações e pela união em busca de justiça.