A Secretaria de Administração Penitenciária do DF negou ter pressionado o empresário por delação. A pasta afirma que a conversa foi para apurar a entrada de um protetor com cannabis na cela. Saiba mais.
Olyvio Marques
Editor · Justiça · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a abordagem ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o 'Careca do INSS', ocorreu para investigar a apreensão de um protetor labial com as inscrições "ácido hialurônico e cannabis" em sua cela. Em ofício, a pasta nega que tenha havido pressão por um acordo de delação premiada, como alegou a defesa. Atualizado em 26 de junho de 2026.
Em resposta ao ministro André Mendonça, a Seape afirmou que a conversa com Antunes teve caráter "exclusivamente informacional e preventivo", sendo classificada como uma "oitiva para fins de inteligência". Segundo o órgão, o objetivo era apurar como o produto, que não está de acordo com as normas internas, ingressou na unidade prisional após ser encontrado durante uma revista de rotina em 2 de junho.
A secretaria sustenta que a diligência não se confundiu com um interrogatório disciplinar ou investigação criminal, mas visava obter informações para aperfeiçoar a segurança do presídio.
A manifestação da Seape responde a uma determinação do ministro André Mendonça, que deu 48 horas para a direção da Papuda se explicar. A defesa de 'Careca do INSS' havia denunciado que policiais penais o retiraram da cela para "questionamentos informais" sem a presença de advogados, insistindo por cerca de uma hora sobre a possibilidade de uma colaboração premiada.
Os advogados consideraram o episódio uma "pressão deliberada sobre o custodiado", especialmente porque já havia um interrogatório administrativo formalmente agendado para tratar do protetor labial.
Apesar de negar as acusações e afirmar que não encontrou elementos que corroborem a alegação de pressão por delação, a Seape informou que abriu um Procedimento de Investigação Preliminar (PIP). Segundo a secretaria, a medida foi adotada para conferir "máxima transparência" e assegurar a completa elucidação dos fatos narrados pela defesa. O procedimento será conduzido pela Gerência Correicional da pasta.
Antônio Carlos Camilo Antunes é um empresário e lobista preso preventivamente desde 2024. Ele é apontado pela Polícia Federal como um dos principais alvos da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados.
Segundo a Seape, foi apreendido um protetor labial com as inscrições "ácido hialurônico e cannabis" durante uma revista de rotina na ala de vulneráveis do Complexo Penitenciário da Papuda.
O ministro do STF determinou que a direção da Papuda prestasse esclarecimentos detalhados sobre a denúncia da defesa, identificasse os agentes envolvidos e comunicasse a Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o caso.
A versão da administração penitenciária contrasta diretamente com a denúncia da defesa de 'Careca do INSS'. Enquanto a Seape-DF atribui a abordagem à apreensão de um item irregular, os advogados sustentam a tese de pressão indevida por delação. O caso segue em apuração tanto no STF quanto internamente na própria secretaria.
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