Ministério Público de MS pede o fechamento do Instituto Guarda Animal por suposto desvio de R$ 18 mil. Entenda as acusações e o futuro dos animais.
Olyvio Marques
Editor · Mato Grosso do Sul · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) solicitou à Justiça o fechamento do Instituto Guarda Animal (IGA), em Campo Grande, após uma investigação apontar o suposto desvio de mais de R$ 18 mil de doações. Segundo a promotoria, o dinheiro, que deveria ser usado para cuidar dos animais, foi gasto em aplicativos de comida, bares, restaurantes e até salões de beleza. Atualizado em 15 de julho de 2026.
De acordo com a ação civil pública movida pelos promotores, um relatório contábil identificou R$ 18.337,51 em despesas consideradas incompatíveis com os objetivos da ONG. Desse total, R$ 16.093,30 teriam sido gastos em pedidos pelo aplicativo iFood. A investigação também menciona despesas em bares, cinema, Uber e lojas de departamento, conforme apurado pelo Campo Grande News.
Além das irregularidades financeiras, o MPMS aponta um histórico de problemas sanitários no abrigo. Vistorias realizadas desde 2022 teriam constatado condições degradantes, como forte odor de fezes e urina, infestação por sarna, superlotação e animais com sinais de leishmaniose, sem o devido controle veterinário.
Em sua defesa, o Instituto Guarda Animal contesta as acusações, afirmando que o Ministério Público utilizou fotografias e informações antigas para retratar a situação atual. A ONG admite dificuldades financeiras e estruturais, mas sustenta que a situação presente é adequada e que os 73 cães e gatos sob sua tutela recebem os cuidados necessários.
Apesar de negar as irregularidades, a entidade informou à Justiça que não tem mais interesse em continuar com as atividades. O instituto pediu um prazo de dez meses para encontrar um lar definitivo para todos os animais, seja por meio de adoções ou transferências para outras associações, e solicitou auxílio da prefeitura nesse processo.
As investigações sobre o IGA não são recentes. Em julho de 2024, as responsáveis pela ONG, as irmãs Paola e Natália de Souza Brizueña, foram presas preventivamente após uma denúncia de vizinhos sobre barulho e mau cheiro. Na ocasião, a polícia encontrou acúmulo de dejetos, parasitas nos animais e descarte irregular de lixo e medicamentos. Naquela época, o abrigo mantinha 224 animais, segundo reportagem do Campo Grande News.
A principal acusação é o uso indevido de dinheiro de doações. O Ministério Público alega que mais de R$ 18 mil foram gastos em despesas pessoais, como R$ 16 mil em iFood, além de gastos em bares, restaurantes e salões de beleza, em vez de serem aplicados no cuidado dos animais.
A defesa do Instituto Guarda Animal afirma que as acusações são baseadas em informações antigas e descontextualizadas. A entidade nega a negligência, mas confirma o desejo de encerrar as atividades, solicitando um prazo para realocar os animais de forma segura.
O futuro dos 73 animais é incerto. O MPMS pediu que o Município de Campo Grande assuma a tutela dos cães e gatos imediatamente. Já a ONG solicita um prazo de dez meses para organizar a adoção e transferência dos animais para outros lares e abrigos.
O caso do Instituto Guarda Animal expõe a complexa situação de muitas ONGs de proteção animal, que lidam com superlotação e dificuldades financeiras. Enquanto o Ministério Público busca a dissolução da entidade por graves acusações de desvio de verbas e maus-tratos, a defesa alega que a realidade é diferente da apresentada. A decisão judicial definirá não apenas o futuro da organização, mas principalmente o destino de dezenas de animais que dependem de cuidado e proteção.