Conheça a história da joia de ouro e esmeraldas encontrada em um naufrágio, vendida ao governo e trocada por uma farsa de plástico antes da visita da Rainha.
Olyvio Marques
Editor · História · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 5 de agosto de 2026. A história da Cruz de Tucker é um dos maiores mistérios da caça ao tesouro: uma cruz de ouro 22 quilates com sete esmeraldas, encontrada em um naufrágio espanhol do século XVI, foi roubada de um museu nas Bermudas em 1975. A farsa só foi descoberta porque o ladrão a substituiu por uma réplica de plástico, encontrada minutos antes de uma visita da Rainha Elizabeth II.
Em 1955, o mergulhador Teddy Tucker explorava os destroços do galeão espanhol San Pedro, que naufragou em 1594 perto da costa das Bermudas. Após dias de buscas, ele removeu uma prancha de madeira no fundo do mar e encontrou o artefato: uma cruz de ouro maciço com cerca de sete centímetros, cravejada com sete esmeraldas do tamanho de uma bala de mosquete. A peça, provavelmente de origem americana e não espanhola, era um achado histórico.
A descoberta rapidamente atraiu atenção mundial. O Instituto Smithsonian avaliou o tesouro em 250 mil dólares na época, o que equivaleria a mais de 3 milhões de dólares hoje, segundo o Popular Mechanics. A peça ficou conhecida como "Cruz de Tucker" e se tornou um dos mais valiosos tesouros já resgatados de um naufrágio.
O governo das Bermudas reivindicou a posse da cruz, gerando uma disputa com Tucker. De acordo com o portal UOL, o mergulhador chegou a esconder a joia em uma caverna submarina dentro de um saco de batatas para protegê-la. Cansado da perseguição de outros caçadores de tesouro e por patriotismo, ele finalmente vendeu toda a coleção do San Pedro, incluindo a cruz, ao governo em 1959 por 100 mil dólares, um valor bem abaixo do mercado, com a condição de que a peça permanecesse na ilha.
Em 1975, a Rainha Elizabeth II agendou uma visita às Bermudas, e a Cruz de Tucker, então exposta no Museu Marítimo das Bermudas, era uma das principais atrações. Teddy Tucker foi convidado para ser o guia da monarca. Minutos antes da chegada da comitiva real, ele foi inspecionar a peça e notou que algo estava errado: o brilho do ouro estava opaco. Ao pegá-la, suas mãos ficaram sujas de tinta amarela. A cruz original havia sido trocada por uma réplica de plástico recém-pintada.
Tucker conduziu a visita sem revelar o roubo à Rainha. Assim que a comitiva partiu, alertou as autoridades. O FBI, a Interpol e a Scotland Yard foram acionados, mas nenhuma pista do ladrão ou do paradeiro da joia foi encontrada. O crime permanece sem solução até hoje.
Na década de 1950, a cruz foi avaliada em 250 mil dólares. Em valores atuais, o artefato histórico valeria mais de 3 milhões de dólares. Seu valor histórico e cultural, no entanto, é considerado incalculável.
Não. Apesar das investigações internacionais, a cruz de ouro e esmeraldas nunca foi recuperada. Especialistas especulam que ela pode ter sido derretida para vender o ouro ou vendida intacta a um colecionador particular no mercado negro, conforme aponta o site TudoPorEmail.
Teddy Tucker, que descobriu mais de 100 naufrágios ao longo da vida, morreu em 2014, aos 89 anos, sem nunca mais ver sua mais famosa descoberta. A cruz permaneceu, segundo ele, seu "achado mais querido".
O roubo da Cruz de Tucker continua sendo um dos maiores mistérios não resolvidos das Bermudas. A história combina a emoção da descoberta de um tesouro perdido com o drama de um crime audacioso, que transformou uma relíquia histórica em uma lenda sobre ambição e perda, cujo paradeiro segue desconhecido quase 50 anos depois.
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