O sonho da advocacia para muitos jovens se transforma em pesadelo com jornadas exaustivas e salários de R$ 1.500. Entenda os desafios que geram desânimo.
Olyvio Marques
Editor · Carreira · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O sonho de uma carreira sólida na advocacia, alimentado por anos de estudo e a conquista da aprovação no Exame da Ordem, tem se chocado com uma dura realidade para muitos jovens profissionais no Brasil. Relatos de jornadas de trabalho exaustivas, remuneração baixa e uma pressão constante transformam o que deveria ser o início de uma trajetória de sucesso em um período de desilusão e questionamentos sobre o futuro na profissão. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A frustração no início da carreira jurídica é um sentimento comum. Em um relato compartilhado pelo Blog Exame de Ordem, uma jovem advogada descreve sua rotina como a de uma "verdadeira escrava", com jornadas que ultrapassam o horário comercial e uma remuneração de R$ 1.500 como "associada" — um modelo que, segundo o texto, muitas vezes mascara uma relação de emprego sem os devidos direitos trabalhistas. Ela relata se sentir "sugada, estressada, desanimada, decepcionada" e sob uma pressão constante que a faz considerar abandonar a profissão pela qual tanto batalhou.
Essa experiência não é isolada. O autor do blog, Maurício Gieseler, compartilha sua própria experiência passada de receber um salário de R$ 1.100 para um volume de trabalho intenso, o que o levou a um quadro de ansiedade. Segundo ele, este cenário de "muito trabalho e baixíssima remuneração" é a realidade do mercado para a maioria dos iniciantes.
A estrutura do mercado de trabalho para advogados é um dos principais fatores de descontentamento. O modelo de "advogado associado", criado pela própria OAB, é apontado no artigo do Blog Exame de Ordem como uma forma de "elidir o pagamento de obrigações trabalhistas", perpetuando a precarização. A percepção é que, apesar dos debates sobre o aviltamento da profissão, poucas mudanças estruturais ocorrem na prática, deixando o jovem profissional em uma posição vulnerável.
Apesar dos desafios, os jovens advogados representam uma força significativa dentro da categoria. De acordo com a Comissão Nacional da Jovem Advocacia, eles correspondem a quase 50% dos inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), conforme matéria do portal Migalhas. Essa expressiva participação tem impulsionado a luta por maior representatividade e por mudanças nas regras da instituição, como a redução do tempo necessário para se candidatar a cargos nos conselhos da OAB.
Embora não haja um piso nacional unificado e os valores variem, relatos como o publicado no Blog Exame de Ordem citam remunerações em torno de R$ 1.500 para advogados associados em início de carreira, um valor considerado baixo frente à carga de trabalho e responsabilidades.
Sim. Apesar de já representarem 50,8% da advocacia brasileira, as mulheres ainda enfrentam barreiras como desigualdade salarial e preconceito em áreas específicas do Direito, como Criminal e Eleitoral, segundo um artigo do portal Estratégia OAB. A competência delas é frequentemente questionada apenas pelo fato de serem mulheres.
Abrir um escritório próprio é uma alternativa, mas exige cautela. O conselho dado no Blog Exame de Ordem é que o profissional iniciante ainda está "cru" para o mercado. A experiência adquirida em um emprego, mesmo que desafiador, é vista como um elemento importante para o amadurecimento profissional e pessoal antes de dar passos maiores.
O início da carreira na advocacia no Brasil é marcado por um paradoxo: a alta qualificação exigida contrasta com condições de trabalho muitas vezes precárias e mal remuneradas. A desilusão sentida por muitos jovens advogados é um reflexo de um mercado desafiador que impõe longas jornadas e baixa remuneração. Enquanto a luta por maior representatividade e melhores condições avança, a realidade diária continua a forçar muitos a questionar se o sonho da advocacia vale o custo para sua saúde mental e qualidade de vida.
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