Proposta para remover capivaras de parque urbano gera polêmica. Entenda os argumentos sobre riscos à saúde e por que especialistas apontam que a retirada pode ser ineficaz.
Olyvio Marques
Editor · Cidades · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A proposta de retirada de capivaras de um parque urbano em Paranavaí (PR), após a morte de um animal, reacende um debate complexo e recorrente em várias cidades brasileiras: o que fazer com a crescente presença da fauna silvestre em áreas urbanas? A questão divide opiniões e expõe um dilema entre a segurança da população e a proteção animal. Atualizado em 17 de junho de 2026.
A presença de capivaras em parques e margens de rios urbanos não é uma invasão, mas uma consequência da expansão das cidades sobre seus habitats naturais. A perda de território força os animais a procurar refúgio em áreas verdes remanescentes, como parques e represas, que se tornam seus únicos lares possíveis, conforme aponta o Instituto Ampara Animal.
Essa proximidade gera um impasse. De um lado, os animais se tornam atrações; de outro, surgem preocupações com a segurança e a saúde pública, como visto em Palhoça (SC), onde a superpopulação de capivaras no Parque da Pedra Branca gerou um impasse entre a prefeitura e o Ibama.
O principal argumento para a remoção ou controle populacional das capivaras é o risco de transmissão da febre maculosa. Os animais são hospedeiros do carrapato-estrela, vetor da doença, que pode ser fatal para humanos. Em Itajaí (SC), um vereador chegou a sugerir a "matança" dos roedores, citando a "invasão de carrapato" e os prejuízos a agricultores. A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive-SC) confirmou casos da doença na região, reforçando a preocupação.
Especialistas e órgãos ambientais alertam que a simples remoção das capivaras não é uma solução definitiva e pode, inclusive, agravar o problema. Segundo o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), a retirada de parte da população reduz a competição por recursos, o que pode aumentar a taxa reprodutiva dos animais remanescentes, resultando em um crescimento populacional futuro sem precedentes.
Além disso, a translocação é complexa. As capivaras são territorialistas, e movê-las para outras áreas pode gerar conflitos com grupos já existentes. Há também o risco de disseminar doenças para novas regiões. Por essas razões, o Ibram considera a remoção uma medida temporária, ineficaz e com riscos associados.
Sim. Como toda a fauna silvestre nativa, as capivaras são protegidas pela Constituição Federal e pela Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98). A caça, captura, abate ou manipulação sem autorização do órgão ambiental competente é crime.
Não são consideradas agressivas, mas, como qualquer animal silvestre, podem atacar se sentirem ameaçadas, especialmente para defender seus filhotes. A recomendação é manter distância segura, não alimentar e manter animais de estimação na coleira.
O manejo de fauna silvestre só pode ser autorizado por órgãos ambientais após estudos técnicos que comprovem a necessidade, como risco à saúde pública ou desequilíbrio ambiental. Alternativas como a castração de machos e a criação de barreiras físicas (cercamentos) são avaliadas em alguns municípios, mas exigem planejamento e autorização.
O debate sobre a retirada das capivaras evidencia a necessidade de planos de manejo baseados em estudos técnicos, e não em reações a incidentes isolados. A convivência harmônica entre humanos e a fauna silvestre nos centros urbanos depende de políticas públicas que considerem tanto a segurança da população quanto o bem-estar e a proteção dos animais, que tiveram seus habitats originais ocupados.
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