Governo Federal e prefeituras, como a de Cuiabá, estão transformando imóveis abandonados em moradias populares e equipamentos públicos. Saiba como funcionam.
Olyvio Marques
Editor · Cidades · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Iniciativas em níveis federal e municipal estão em andamento no Brasil para transformar imóveis abandonados em moradias populares e outros equipamentos de função social. Enquanto o Governo Federal foca em propriedades da União com o programa "Imóvel da Gente", prefeituras como a de Cuiabá regulamentam a tomada de imóveis privados abandonados. Atualizado em 6 de julho de 2026.
O Governo Federal oficializou em fevereiro de 2024 o programa "Imóvel da Gente", que visa destinar propriedades da União sem uso para fins sociais. Coordenado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, o projeto já mapeou cerca de 500 imóveis, incluindo prédios, terrenos e galpões, em aproximadamente 200 municípios, conforme noticiado pelo O Globo.
A iniciativa, uma demanda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, busca mudar a lógica de simplesmente vender o patrimônio público, focando na sua função socioambiental, segundo a ministra Esther Dweck. Os imóveis são destinados a programas como o Minha Casa Minha Vida (MCMV), além da construção de escolas, unidades de saúde e outras infraestruturas, em parceria com estados, municípios e o setor privado.
Na esfera municipal, a Prefeitura de Cuiabá (MT) publicou em junho de 2026 o Decreto nº 12.189, que regulamenta a arrecadação de imóveis urbanos privados comprovadamente abandonados. A medida, assinada pelo prefeito Abilio Brunini (PL), permite que o município assuma a posse desses bens para destiná-los a programas habitacionais, áreas verdes e equipamentos públicos, segundo o portal HiperNotícias.
O processo administrativo define o que caracteriza o abandono, como a falta de manutenção e o não pagamento de tributos por cinco anos consecutivos, o que gera presunção de desinteresse do proprietário, conforme o Código Civil.
Após notificação, o proprietário tem 30 dias para apresentar defesa. Caso não o faça ou não cumpra as exigências, a prefeitura pode tomar posse provisória do imóvel. O dono ainda tem um prazo de três anos para reaver a propriedade, desde que quite todas as dívidas, ressarça os gastos do município e se comprometa, via Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), a dar uma função social ao bem. Se o prazo expirar sem regularização, o imóvel é incorporado definitivamente ao patrimônio público, como informa o G1.
A principal diferença é a origem do imóvel. O programa federal "Imóvel da Gente" destina propriedades que já pertencem à União. A iniciativa de Cuiabá, por outro lado, estabelece um processo para que o poder público municipal possa arrecadar imóveis privados que foram abandonados por seus donos.
Não. No caso do decreto de Cuiabá, há um rito administrativo que garante o direito de defesa. Mesmo após a decisão de arrecadação pela prefeitura, o proprietário tem um período de três anos para recuperar o imóvel, desde que cumpra uma série de exigências legais e financeiras, como o pagamento de débitos e multas.
Tanto a União quanto municípios estão se movimentando para dar uma função social a propriedades ociosas, combatendo o abandono e o déficit habitacional. Enquanto o programa federal realoca ativos públicos, legislações municipais criam mecanismos para intervir em propriedades privadas abandonadas, sempre com base no princípio constitucional da função social da propriedade.
Entenda como funciona a lei que permite a prefeituras, como a de Vitória (ES), arrecadar casas e terrenos sem uso para programas de habitação social. Saiba os critérios e prazos.
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