Marco da engenharia, a Usina Henry Borden completa um século em operação em Cubatão (SP). Conheça a história do complexo que sobreviveu a um bombardeio em 1932 e hoje é vital para o sistema elétrico nacional.
Olyvio Marques
Editor · Energia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Usina Hidrelétrica Henry Borden, um marco da engenharia nacional localizado em Cubatão (SP), completou 100 anos de operação em 10 de outubro de 2026. Famosa por ter sido bombardeada durante a Revolução de 1932 e por sua estrutura monumental na Serra do Mar, a usina segue em plena atividade, desempenhando um papel estratégico como uma espécie de "bateria" para o Sistema Interligado Nacional (SIN). Atualizado em 12 de outubro de 2026.
Inaugurada em 10 de outubro de 1926, a então Usina de Cubatão foi o resultado de um projeto audacioso da empresa canadense Light, idealizado pelo engenheiro Asa White Kenney Billings. A construção mobilizou mais de seis mil trabalhadores para aproveitar o desnível de 720 metros da Serra do Mar e gerar energia para a crescente São Paulo, conforme relatos da época. Por décadas, foi considerada a maior hidrelétrica do Hemisfério Sul.
O complexo é composto por duas casas de força: uma externa, com oito geradores, e outra subterrânea, escavada dentro da rocha, com seis geradores. A caverna subterrânea, inaugurada em 1956, possui 120 metros de comprimento, 21 de largura e 39 de altura. Juntas, as unidades somam uma capacidade instalada de 889 megawatts (MW), suficiente para abastecer cerca de 4,2 milhões de residências.
Um dos episódios mais marcantes de sua história ocorreu em 28 de julho de 1932, durante a Revolução Constitucionalista. A usina foi alvo de um ataque aéreo ordenado pelo governo de Getúlio Vargas, com o objetivo de cortar o fornecimento de energia para a indústria paulista. Segundo a Emae, empresa que opera a usina, dois hidroaviões lançaram bombas sobre o complexo, mas apenas uma atingiu a casa de máquinas, perfurando o teto sem explodir e causando apenas danos leves.
Desde 1992, devido a restrições ambientais que limitaram o bombeamento de água do Rio Pinheiros para a Represa Billings, a usina deixou de operar continuamente em sua capacidade máxima. Hoje, sua principal função é de apoio estratégico ao sistema elétrico brasileiro.
A Henry Borden funciona como uma reserva de energia, ou "bateria", para o Sistema Interligado Nacional. Em momentos de alta demanda, como no início da noite, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) pode acioná-la, e em apenas 15 minutos, a usina consegue entregar sua potência máxima disponível, garantindo a estabilidade da rede.
A água do reservatório Rio das Pedras é conduzida por túneis e adutoras (grandes tubos de aço) que descem a serra. Embora a velocidade da água nos dutos seja de cerca de 20 km/h, ao se aproximar das turbinas Pelton, ela atinge impressionantes 400 km/h, velocidade superior à de um carro de Fórmula 1, segundo técnicos da Emae.
A usina tem uma capacidade instalada total de 889 MW, dividida entre a seção externa (469 MW) e a subterrânea (420 MW). Essa potência é suficiente para fornecer energia a aproximadamente 4,2 milhões de residências.
Sim. O primeiro rotor da usina, instalado em 1926, continua em operação, embora sua substituição esteja prevista em projetos de modernização. Além disso, os oito grandes tubos de aço que transportam a água pela serra também são os originais da época da construção.
Henry Borden é uma usina com capacidade de "black start" (partida autônoma). Isso significa que, em caso de um apagão nacional, ela pode reiniciar sua operação sem precisar de uma fonte de energia externa, sendo uma das primeiras a serem acionadas para restabelecer o sistema elétrico do país.
Ao completar 100 anos, a Usina Henry Borden não é apenas um patrimônio histórico da engenharia brasileira, mas uma peça fundamental e resiliente na infraestrutura energética do país. Combinando equipamentos centenários com modernizações contínuas, ela segue pronta para garantir a segurança e a estabilidade do fornecimento de energia para milhões de brasileiros.
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