Um casal investiu R$ 38 mil em energia solar, mas a economia prometida caiu pela metade. A Lei 14.300 mudou o jogo. Saiba o que é a cobrança do Fio B.
Olyvio Marques
Editor · Energia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um casal investe R$ 38 mil em um sistema de energia solar, financiado com a promessa de zerar a conta de luz. Nos primeiros meses, a economia é real. No terceiro, a fatura muda e o valor economizado cai pela metade. A frustração, baseada em casos reais, tem uma explicação: a aplicação da Lei 14.300/2022, que criou uma cobrança sobre a energia injetada na rede, algo que muitos vendedores omitiram nas simulações. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A surpresa na conta de luz de muitos proprietários de sistemas fotovoltaicos vem de um item novo na fatura: a cobrança da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição, componente Fio B. Conforme relatado em casos semelhantes, a economia projetada pela empresa vendedora desaba quando a distribuidora aplica essa nova regra, que não existia no modelo de compensação anterior.
Essa cobrança funciona como um "pedágio" pelo uso da infraestrutura da rede elétrica (postes, fios e transformadores) quando a energia gerada em casa é injetada na rede para ser usada posteriormente como crédito. A energia consumida instantaneamente, direto dos painéis, não passa por essa taxação, de acordo com especialistas do setor.
A Lei nº 14.300/2022, conhecida como Marco Legal da Geração Distribuída, estabeleceu novas regras para quem gera a própria energia. A principal mudança foi a criação de uma cobrança gradual sobre os créditos de energia, justamente para remunerar as distribuidoras pelo uso da rede.
Para projetos protocolados a partir de janeiro de 2023, a cobrança do Fio B é escalonada, aumentando anualmente até 2029. Segundo a legislação, a progressão é a seguinte:
A lei protegeu os pioneiros do setor. Quem instalou o sistema ou protocolou o pedido de acesso na distribuidora até 6 de janeiro de 2023 mantém o direito à compensação integral, sem a cobrança de Fio B, até 31 de dezembro de 2045. Todos os que protocolaram após essa data entram no regime de transição com a cobrança progressiva.
Se a simulação de economia apresentada pela empresa vendedora foi baseada nas regras antigas e omitiu a cobrança progressiva do Fio B, a oferta pode ser considerada falha ou enganosa. O Código de Defesa do Consumidor (artigo 30) determina que a informação prestada na oferta vincula o fornecedor, o que pode permitir uma revisão do contrato.
Sim. Mesmo com a cobrança, a redução na conta de luz pode chegar a 95%. A principal mudança é no tempo de retorno do investimento (payback), que aumentou, em média, de 4 a 5 anos para 5 a 7 anos. Considerando que os painéis têm vida útil superior a 25 anos, o investimento continua sendo vantajoso a longo prazo.
Exija da empresa instaladora uma simulação de economia que aplique expressamente as regras da Lei 14.300, com a projeção da cobrança do Fio B. Compare propostas de diferentes fornecedores e guarde todo o material publicitário e o contrato. Se a economia real for muito diferente da prometida, registre uma reclamação no Procon ou na plataforma consumidor.gov.br.
A tecnologia de energia solar não é o problema; ela continua eficiente e sendo uma fonte de energia limpa. A frustração de muitos consumidores nasce da falta de transparência em propostas comerciais que ignoraram uma lei já em vigor. A decisão de investir em painéis solares segue sendo inteligente, mas exige que o consumidor esteja bem informado sobre a cobrança do Fio B para ter uma expectativa realista da economia e do retorno financeiro.
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