Um casal de joão-de-barro surpreendeu moradores ao construir seu ninho na janela de um consultório em Curitiba. Saiba mais sobre o pássaro arquiteto.
Olyvio Marques
Editor · Curiosidades · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 21 de maio de 2024. Um casal de joão-de-barro (Furnarius rufus) chamou a atenção no bairro Seminário, em Curitiba, ao escolher um local inusitado para construir sua casa: a soleira da janela de um consultório médico. O flagra foi feito pelo médico Lúcio Erlund, que acompanhou a "construção civil a todo vapor" no Instituto do Joelho e Ombro, conforme relatado pela Tribuna do Paraná.
A cena, que para alguns poderia ser vista como sujeira, foi celebrada como um sinal da natureza se integrando à cidade. O militar Airton Somavilla, que vivenciou uma situação parecida em Brasília, admitiu ao Correio Braziliense que inicialmente pensou em retirar o ninho de sua sacada, mas mudou de ideia ao observar a engenhosa construção e o nascimento dos filhotes.
Conhecido como um trabalhador incansável, o joão-de-barro constrói seu ninho em parceria. O macho e a fêmea trabalham juntos, transportando centenas de vezes pequenas porções de barro úmido, esterco e palha para erguer a estrutura, que se assemelha a um forno. Segundo especialistas, a construção pode levar de 18 a 30 dias, dependendo do clima.
A engenharia do ninho é notável. As paredes podem ter até 5 centímetros de espessura, e no Sul do país, costumam ser mais grossas para proteger os filhotes do frio, como explica o ornitólogo Antenor Silva Junior ao G1. A porta de entrada é estrategicamente posicionada na direção contrária ao vento e à chuva, garantindo a segurança do interior.
O joão-de-barro é uma espécie sinantrópica, ou seja, que se adapta bem à convivência com humanos. Embora postes e árvores sejam locais mais comuns, a escolha de janelas e vigas de prédios não é incomum, segundo o professor Eduardo Bessa. Essa proximidade, no entanto, exige cuidados: a Lei de Crimes Ambientais (9.605/98) protege a fauna silvestre, e a destruição de ninhos é crime.
O casal coleta barro úmido, esterco e palha. Com os bicos e os pés, amassam o material para erguer as paredes de um ninho esférico, que possui uma divisão interna para proteger os ovos e filhotes de predadores e do clima, conforme detalha o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Espírito Santo.
Não. Segundo biólogos, essa é uma lenda popular sem qualquer fundamento científico. O comportamento de aprisionar a fêmea por ciúmes não ocorre na natureza, apesar de ter se popularizado em músicas e no imaginário popular.
Não é permitido. De acordo com a Lei de Crimes Ambientais, destruir ou danificar ninhos de aves silvestres é crime ambiental. Mexer na estrutura pode fazer com que as aves abandonem o local, inclusive deixando ovos ou filhotes para trás.
A presença do joão-de-barro em ambientes urbanos, como na janela do consultório em Curitiba, demonstra a incrível capacidade de adaptação da espécie. Para os moradores, é uma oportunidade única de observar de perto o trabalho de um dos mais habilidosos arquitetos da natureza, reforçando a importância da convivência harmônica entre o desenvolvimento urbano e a vida selvagem.
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