Conheça a história do sacerdote italiano Giovanni Gallo, que na década de 1970 organizou a exportação de piranhas empalhadas para financiar obras no Marajó.
Olyvio Marques
Editor · Brasil · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O padre italiano Giovanni Gallo (1927–2003) foi um sacerdote jesuíta que, na década de 1970, liderou um projeto socioeconômico na Ilha do Marajó (PA) que resultou na exportação de 12 mil piranhas empalhadas para a Europa. Com os lucros, ele financiou obras de infraestrutura essenciais para a comunidade e fundou o Museu do Marajó. Atualizado em 29 de setembro de 2026.
Nascido em Turim, na Itália, Giovanni Gallo foi enviado para a Amazônia brasileira em 1970. Três anos depois, assumiu a paróquia de Santa Cruz do Arari, estabelecendo-se na Vila de Jenipapo. Conforme documentado por pesquisadores, sua premissa era que o desenvolvimento social dependia do fortalecimento da cultura local. Além de suas atividades religiosas, Gallo atuou como arqueólogo, museólogo e fotógrafo, promovendo cursos de corte e costura, culinária e artesanato para os moradores.
Para gerar renda e autonomia, Padre Gallo criou um laboratório comunitário na Vila de Jenipapo, onde ensinou mulheres da região a embalsamar piranhas, que eram recolhidas já mortas das redes de pescadores. Utilizando sua rede de contatos na Europa, ele organizou a exportação de aproximadamente 12 mil exemplares para a Itália. O projeto transformou um recurso local em uma fonte de renda e desenvolvimento.
Os recursos obtidos com a venda das piranhas foram integralmente reinvestidos na comunidade. O dinheiro serviu para remunerar as trabalhadoras e custear uma série de obras de infraestrutura, incluindo:
O montante que restou após a conclusão das obras foi usado como capital inicial para a fundação da Associação "O Nosso Museu de Santa Cruz do Arari", que se consolidou como o Museu do Marajó. O acervo foi formado com peças arqueológicas e fragmentos de cerâmica marajoara doados pelos próprios moradores. Gallo implementou uma museologia interativa, com o "computador caipira" e o conceito de "museu na ponta dos dedos", incentivando os visitantes a tocar e interagir com as exposições.
Padre Giovanni Gallo foi um sacerdote jesuíta italiano (1927-2003) que, a partir de 1970, atuou na Ilha do Marajó (PA). Ele ficou conhecido por criar um projeto que exportou 12 mil piranhas empalhadas para financiar obras comunitárias e fundar o Museu do Marajó.
Os lucros da venda das piranhas financiaram a construção de 350 metros de pontes, um trapiche, um cemitério para o período de cheias e uma pista de pouso de 800 metros em Santa Cruz do Arari, no Pará.
O Museu do Marajó foi criado oficialmente em Santa Cruz do Arari em 1981 e, em 1987, foi transferido para o município de Cachoeira do Arari, também na Ilha do Marajó, onde se consolidou com sua proposta interativa.
O legado de Giovanni Gallo no Marajó transcende a curiosa história das piranhas. Ele demonstrou como a valorização da cultura e dos recursos locais pode ser um poderoso motor para o desenvolvimento social, deixando uma marca duradoura na infraestrutura e na preservação da memória da região. Naturalizado brasileiro, viveu no Pará até seu falecimento em 2003.
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