Após sete anos de espera e um longo processo de habilitação, Marinalva e José Luiz receberam a ligação que mudou suas vidas em tempo recorde. Entenda a história.
Olyvio Marques
Editor · Brasil · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Depois de sete anos tentando engravidar e mais de dois anos em processo de habilitação, um casal de Mato Grosso do Sul foi chamado para conhecer seu futuro filho apenas duas horas após ter o cadastro oficialmente incluído no Sistema Nacional de Adoção (SNA). A história de Marinalva Freitas e José Luiz, moradores de Três Lagoas (MS), viralizou pela rapidez com que o sonho da família se concretizou em 26 de março de 2024. Atualizado em 29 de setembro de 2026.
Marinalva e José Luiz estão casados há 11 anos e, por sete, tentaram ter filhos biológicos sem sucesso, segundo reportagem do G1. Sem um diagnóstico de infertilidade, o casal decidiu explorar a adoção, um caminho familiar para Marinalva, que tem dois irmãos adotivos. O processo formal começou em março de 2022, com reuniões no Grupo de Apoio à Adoção (GRAATA), cursos e avaliações psicossociais. A habilitação oficial só foi concedida em fevereiro de 2024, um período que Marinalva descreveu como "lento e angustiante", mas também de "preparação e conscientização".
No dia 26 de março de 2024, às 14h, Marinalva recebeu o e-mail confirmando sua inclusão no SNA. Ela ocupava a 13ª posição na comarca e a 250ª no estado. Apenas duas horas depois, o telefone tocou. Era uma equipe do Fórum de Campo Grande com a notícia de que havia um bebê de seis meses disponível. O perfil do casal, que aceitava crianças com doenças tratáveis, era compatível, pois o menino passava por uma investigação de possíveis problemas auditivos. "Falei para a amiga: ‘vai na frente que vou atender esta ligação. É sobre meus filhos’", contou Marinalva ao G1, revelando sua intuição antes mesmo de saber do que se tratava.
Dois dias após a ligação, em 28 de março, o casal viajou a Campo Grande para conhecer o bebê. A conexão foi imediata. "Foi amor à primeira vista", afirmou Marinalva. A família teve sete dias para se organizar antes de levar José Neto para casa. Meses depois, exames médicos confirmaram que o menino não tinha nenhum problema de saúde. A rapidez do encontro, após anos de espera, surpreendeu o próprio casal, que se preparava para um tempo maior na fila.
A fila é organizada pelo Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), que cruza os perfis de crianças e adolescentes aptos à adoção com os de pretendentes habilitados. A posição na fila e o tempo de espera podem variar muito conforme o perfil de criança desejado. Pretendentes dispostos a acolher grupos de irmãos, crianças mais velhas ou com condições de saúde tratáveis podem ser contatados mais rapidamente, como no caso de Marinalva e José Luiz.
A fase de habilitação, que inclui cursos e avaliações, pode levar anos. Rita e Milton, que adotaram gêmeos em Cuiabá, esperaram três anos e meio na fila, descrevendo a experiência como "a gravidez mais longa do planeta", conforme relatado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso. No entanto, uma vez habilitado, o encontro pode ser rápido se o perfil do pretendente corresponder a uma criança que aguarda uma família.
Sim. A legislação brasileira, incluindo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), não faz distinção quanto à orientação sexual dos adotantes. O foco da Justiça é garantir um ambiente seguro e afetivo para a criança. Histórias como a de Magnus Costa e Gustavo da Silva, que adotaram um menino em Rondonópolis, reforçam que o que define uma família é o vínculo de amor e cuidado, como destacou o juiz Antonio Bertalia Neto ao TJMT.
A história de Marinalva e José Luiz ilustra a imprevisibilidade e a emoção do processo de adoção. Embora a jornada até a habilitação possa ser longa e desafiadora, a formação de uma nova família através do afeto mostra que a espera é recompensada. Casos de todo o Brasil reforçam que, no final, o que prevalece é o desejo de construir laços de amor e cuidado.
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