Facção busca especialistas, como ex-militares e bombeiros do Rio e SP, para ocultar drogas em navios no Amapá, uma nova rota menos vigiada. Entenda.
Olyvio Marques
Editor · Brasil · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 12 de setembro de 2026. O Comando Vermelho (CV) está recrutando mergulhadores de elite, muitos deles ex-militares e ex-bombeiros do Rio de Janeiro e São Paulo, para uma nova e sofisticada operação de tráfico internacional: enviar cocaína da Amazônia para a Europa. A estratégia consiste em usar portos menos vigiados na região, como o de Santana, no Amapá, para fixar a droga em compartimentos submersos de navios cargueiros.
A mudança tática foi detalhada em um relatório da Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC), que aponta a consolidação da Amazônia como um corredor estratégico para a facção, segundo reportagem do jornal O Globo. A intensificação da fiscalização em portos tradicionais, como o de Santos (SP), levou o crime organizado a buscar alternativas.
O Porto de Santana, no Amapá, tornou-se um ponto estratégico para o CV por sua vulnerabilidade na fiscalização. De acordo com o relatório da GI-TOC, o terminal não possui escâneres para contêineres e as inspeções manuais são esporádicas, facilitando a ação dos criminosos. Essa nova rota pela foz do Rio Amazonas representa uma resposta direta à repressão nos portos do Sudeste e ao domínio da "Rota Caipira" pelo rival Primeiro Comando da Capital (PCC).
Essa rota já demonstrou seu potencial com a apreensão de um submarino com 6,6 toneladas de cocaína em Portugal, em março de 2025, que havia partido de Macapá, conforme noticiado por O Globo. A operação evidencia a capacidade logística da facção na região.
Os mergulhadores são peças-chave nesta complexa engrenagem. Trazidos de avião do Rio e de São Paulo, esses profissionais são contratados para realizar uma tarefa de altíssimo risco: esconder os pacotes de cocaína na "caixa de mar" dos navios, um compartimento que capta água para resfriar os motores. As operações ocorrem à noite, em águas do Rio Amazonas que podem atingir 30 metros de profundidade e com visibilidade quase nula.
Em abril de 2024, a Polícia Federal identificou 150 kg de cocaína em um navio no Porto de Santana. A dificuldade da operação foi tamanha que um bombeiro local rompeu o tímpano ao tentar retirar a carga, exigindo a convocação de mergulhadores especializados de outros estados, como apurou O Globo.
O Comando Vermelho consolidou seu domínio na Bacia Amazônica após o desmantelamento da facção local Família do Norte (FDN). A organização carioca adota um modelo de gestão flexível, permitindo autonomia a grupos locais em troca de lealdade e acesso às rotas. Isso garante ao CV o controle de nós logísticos desde as plantações de coca no Peru até as periferias de Manaus e Macapá.
Manaus funciona como um centro logístico onde o preço da droga é renegociado. O quilo da cocaína, que custa cerca de US$ 1 mil na origem, chega a US$ 3,5 mil na capital amazonense e pode atingir até € 70 mil no mercado atacadista europeu, segundo o levantamento da GI-TOC.
A Amazônia virou uma rota alternativa para o CV devido ao aumento da fiscalização em portos do Sudeste, como Santos, e ao domínio da chamada "rota caipira" pelo PCC, que dificultou o acesso de outras facções ao tráfico via Paraguai.
Eles fixam pacotes de cocaína na "caixa de mar", um compartimento submerso usado para captar água e resfriar os motores do navio. A operação é clandestina, realizada à noite e em condições de alta periculosidade.
São profissionais altamente qualificados, muitos deles ex-militares de elite da Marinha ou ex-bombeiros, que são trazidos de avião de estados como Rio de Janeiro e São Paulo especificamente para realizar essas missões.
A "importação" de mergulhadores de elite pelo Comando Vermelho para operar na Amazônia revela a crescente sofisticação e adaptação do crime organizado no Brasil. Ao explorar vulnerabilidades em portos do Norte, a facção não apenas cria uma nova e lucrativa rota de exportação de cocaína para a Europa, mas também impõe um desafio significativo às forças de segurança, que precisam lidar com táticas cada vez mais especializadas.
Com projetos estratégicos atrasados e estoques de munição em níveis críticos, as Forças Armadas do Brasil enfrentam um desafio de prontidão. Comandantes alertam para o risco de obsolescência e perda de capacidade de dissuasão.
Uma moradora encontrou pedreiros em sua cobertura sem aviso. Entenda quando o acesso ao imóvel vizinho é permitido e quem paga por danos como telhas quebradas.
Longe das praias, Guaramiranga (CE) oferece clima de serra, neblina e temperaturas de até 10°C. Saiba o que fazer, onde comer e como chegar.
Oficial da Força Aérea Brasileira, formado pelo ITA, foi para a reserva não remunerada e enfrenta cobrança por custos de formação. Entenda a decisão judicial.