Conheça as histórias de famílias que preservam atafonas centenárias e engenhos de cana, mantendo viva a memória e a produção artesanal no Brasil. Saiba como.
Olyvio Marques
Editor · Cultura · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Em um Brasil cada vez mais moderno, tradições centenárias resistem ao tempo graças ao esforço de famílias que preservam técnicas e maquinários históricos. De uma atafona movida a água em Santa Catarina a engenhos de cana-de-açúcar no Ceará, essas iniciativas mantêm viva a memória da produção artesanal no país. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Em Ibirama, no Alto Vale do Itajaí (SC), a Atafona Carlos Hajek é um verdadeiro museu em funcionamento. Construída em 1945, a estrutura utiliza a força de uma roda d'água para mover um complexo sistema de engrenagens de madeira e correias, que acionam tanto um moinho quanto uma marcenaria. Segundo reportagem do portal ND Mais, a oficina foi fundada em 1951 e produziu muitas portas e janelas para a comunidade local.
Manfredo Hajek, filho do fundador, é quem hoje demonstra o funcionamento do equipamento a visitantes. Ele mantém a atividade artesanal moendo milho para produzir fubá e descascando arroz para a comunidade. Uma tabela de 1946, ainda preservada no local, registra que 60 quilos de milho rendiam 52 quilos de fubá.
No sertão cearense, a tradição dos engenhos de cana-de-açúcar também é mantida por famílias dedicadas. No município de Iguatu, a família Tavares deu continuidade à moagem iniciada em 1990, transformando garapa em rapadura, batida, alfenim e mel de engenho. Conforme o Diário do Nordeste, o objetivo principal é manter a tradição, com a comercialização focada em atender a demanda das famílias da comunidade e sítios vizinhos.
A preservação dessas atividades, no entanto, enfrenta desafios. A família Rufino, também no Ceará, luta para manter seu engenho centenário em atividade. Em matéria de 2018 do Diário do Nordeste, o agricultor Francisco Rufino, então com 86 anos, lamentava a queda na safra de cana devido à estiagem, que reduziu a moagem de um mês inteiro para apenas uma vez. A falta de matéria-prima e os custos de produção são entraves significativos para a continuidade dos engenhos na região.
Uma atafona é um tipo de moinho, frequentemente movido pela força da água ou de animais, utilizado para moer grãos como milho e trigo, transformando-os em farinha ou fubá. A Atafona Carlos Hajek, em Santa Catarina, é um exemplo de como essa tecnologia tradicional pode ser preservada.
Preservar engenhos de cana-de-açúcar é fundamental para manter viva uma parte importante da história e cultura brasileira, ligada ao ciclo da cana. Além de resgatar tradições, essas atividades geram renda para famílias locais e oferecem produtos artesanais, como rapadura e mel, que são apreciados pela comunidade.
Tanto a atafona em Santa Catarina quanto os engenhos no Ceará são testemunhos da resiliência cultural e do valor do conhecimento transmitido entre gerações. Essas iniciativas familiares não apenas preservam maquinários e técnicas do passado, mas também fortalecem os laços comunitários e mantêm viva a história produtiva do interior do Brasil.
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