Uma das maiores produtoras de ouro do mundo, a AngloGold Ashanti, fundada em 1834, inova com jornada reduzida, IA e home office. Entenda a transformação.
Olyvio Marques
Editor · Inovação · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A AngloGold Ashanti, considerada a indústria em operação contínua mais antiga do Brasil, está se reinventando com uma jornada de trabalho 4x3, home office e investimento em inteligência artificial para aumentar a produtividade e a segurança. Fundada em 1834, a mineradora se posiciona agora como uma "startup de 192 anos", segundo seu CEO. Atualizado em 2 de julho de 2026.
A história da AngloGold Ashanti no Brasil começou em 1834, durante o Império, quando uma companhia inglesa chegou a Minas Gerais para explorar o segundo ciclo do ouro, marcado pela mecanização. Conforme detalhado em uma reportagem da Exame, a empresa iniciou suas operações como São João del Rey Mining Company e, ao longo de quase dois séculos, passou por diversas mudanças de nome e controle acionário, resistindo a eventos como a Proclamação da República, duas guerras mundiais e crises econômicas.
Hoje, a operação brasileira está concentrada em Minas Gerais, com duas minas subterrâneas, Cuiabá e Lamego, e é a única do grupo global com um processo 100% verticalizado, da pesquisa mineral ao refino do ouro.
Para se manter relevante, a companhia abandonou a tradicional escala 6x1. Nas minas, os funcionários agora trabalham em um modelo de quatro dias de trabalho por quatro de folga. No escritório corporativo, a jornada é de segunda a quinta-feira, com possibilidade de home office. "Quando você pega uma empresa de mineração com 192 anos e pensa em uma escala 4x3, isso é totalmente fora da caixa. Somos uma startup de 192 anos", afirmou Luiz Otávio de Lima, CEO da AngloGold Ashanti Latam, à Exame.
A mudança, segundo o executivo, resultou em uma melhoria exponencial nos indicadores de segurança, com redução de acidentes de baixa gravidade, como torções e prensamentos de dedos, associados ao cansaço. A adoção de jornadas reduzidas tem mostrado resultados positivos em outros setores no Brasil. Uma escola em São Paulo, por exemplo, aumentou seu faturamento em 35% após implementar um modelo similar, conforme reportado pela Agência Brasil.
A transformação cultural é acompanhada por um forte investimento em tecnologia. A mina Cuiabá, uma das cinco mais tecnológicas do mundo, é 100% conectada por Wi-Fi, permitindo o monitoramento em tempo real da localização de cada funcionário. Esse sistema, chamado People Tracking, agiliza respostas em caso de emergência e gera uma economia de quase 25% de energia ao ajustar a ventilação conforme a presença de pessoas.
Além disso, a empresa utiliza carregadeiras operadas remotamente da superfície, retirando os operadores de áreas de maior risco. Esse investimento em automação e dados alinha a mineradora às práticas de grandes empresas de inovação, que utilizam IA para otimizar operações, um mercado global que deve atingir US$ 1,8 trilhão até 2030, segundo projeções do IDC citadas pela BeAnalytic.
A AngloGold Ashanti, fundada em 1834, é considerada a indústria em operação contínua mais antiga do Brasil. Ela atua no setor de mineração de ouro em Minas Gerais.
A escala 4x3 consiste em quatro dias de trabalho seguidos por três dias de folga. Na AngloGold Ashanti, o modelo foi adaptado para quatro dias de trabalho por quatro de descanso nas minas, enquanto no escritório a jornada é de segunda a quinta-feira.
Os principais benefícios observados pela empresa foram a melhoria nos indicadores de segurança e o bem-estar dos funcionários. A redução de acidentes foi associada a colaboradores mais descansados e atentos, resultando em maior produtividade.
A trajetória da AngloGold Ashanti demonstra que a longevidade de um negócio depende da capacidade de se adaptar. Ao combinar sua herança de quase dois séculos com práticas de gestão modernas, como a jornada 4x3, e tecnologias de ponta, a empresa mais antiga do Brasil se reinventa para garantir sua relevância e competitividade no futuro.
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