Cientistas descobriram 33 vírus em gelo de 15 mil anos no Planalto Tibetano, 28 deles inéditos. Entenda o que a descoberta revela sobre ambientes extremos e os riscos do degelo.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Cientistas encontraram vestígios genéticos de 33 vírus, sendo 28 deles completamente novos para a ciência, em amostras de gelo de quase 15 mil anos coletadas no Planalto Tibetano. Atualizado em 22 de junho de 2026. A descoberta, feita na calota polar de Guliya, na China, não só revela como microrganismos sobrevivem em condições extremas, mas também acende um alerta sobre os riscos do degelo acelerado pelo aquecimento global.
As amostras foram coletadas em 2015 a uma altitude de aproximadamente 6.700 metros. De acordo com o estudo publicado na revista científica Microbiome, as camadas de gelo que se formam anualmente aprisionam partículas da atmosfera, criando uma linha do tempo que permite aos pesquisadores estudar ambientes do passado.
A análise dos núcleos de gelo revelou a presença de 33 grupos virais. Desses, apenas quatro eram conhecidos pela comunidade científica, enquanto pelo menos 28 são inéditos. Segundo os pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio, a análise genética sugere que a maioria desses vírus se originou em solos ou plantas, e não em animais ou humanos.
Muitos dos vírus encontrados possuem assinaturas genéticas que os ajudam a infectar células em ambientes frios. "Esses são vírus que teriam prosperado em ambientes extremos", explicou Matthew Sullivan, coautor do estudo e professor de microbiologia, em declaração divulgada pela universidade.
Para analisar as amostras sem contaminá-las com micróbios modernos, a equipe desenvolveu um método "ultralimpo". Essa nova técnica é considerada um avanço significativo para o estudo de microrganismos em ambientes extremos.
A metodologia pode abrir portas para a busca de sequências genéticas em outros locais inóspitos. "O método que Zhi-Ping [Zhong, autor principal] desenvolveu [...] poderia nos ajudar a pesquisar essas sequências genéticas em outros ambientes gelados extremos – Marte, por exemplo, a lua, ou mais perto de casa, no deserto de Atacama", destacou Sullivan.
Foram encontrados códigos genéticos de 33 vírus em amostras de gelo com quase 15.000 anos. Dentre eles, pelo menos 28 são novos para a ciência e ainda não foram catalogados.
A análise inicial indica que os vírus provavelmente se originaram de solos e plantas, não de animais ou humanos. No entanto, cientistas alertam que o derretimento de geleiras devido às mudanças climáticas pode liberar patógenos antigos e desconhecidos, representando um risco potencial que precisa ser estudado.
O estudo completo foi publicado na revista científica Microbiome, detalhando tanto os vírus encontrados quanto a nova metodologia ultralimpa desenvolvida para a análise do gelo.
A descoberta dos vírus de 15 mil anos no Tibete é um marco que oferece um vislumbre de ecossistemas antigos e da evolução viral. Ao mesmo tempo, serve como um alerta sobre as consequências do aquecimento global, que pode liberar microrganismos há muito adormecidos. A nova técnica de análise promete impulsionar a busca por vida em outros planetas, transformando gelo antigo em um arquivo valioso para a ciência.
Arqueólogos içaram 22 blocos de até 80 toneladas do Farol de Alexandria, no Egito. Entenda como a maravilha do mundo antigo será reconstruída digitalmente.
Um novo dispositivo com IA, chamado CapuchinAI, está revelando como macacos-prego selvagens aprendem e tomam decisões em seu habitat na Costa Rica.
O peixe-lua, maior peixe ósseo do mundo, emerge na superfície para que aves marinhas removam seus parasitas. Saiba mais sobre essa fascinante relação de mutualismo.
O navio Quest, última embarcação do explorador Ernest Shackleton, foi localizado a 390m no Canadá. Saiba como uma expedição usou um submarino para registrar os destroços.