Entenda como a baleia-jubarte cria uma engenhosa 'rede de bolhas' para cercar cardumes. Descubra por que essa técnica é considerada uma ferramenta animal.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A rede de bolhas é uma sofisticada técnica de caça utilizada por baleias-jubarte para encurralar cardumes de peixes ou krill. Trabalhando sozinhas ou em grupo, elas liberam ar de seus espiráculos enquanto nadam em círculos, criando uma "parede" de bolhas que concentra as presas em uma área pequena antes de avançar para se alimentar. Atualizado em 15 de agosto de 2026.
A técnica, conhecida como bubble-net feeding, é um comportamento coordenado que transforma o ar em uma armadilha eficaz. De acordo com pesquisadores, o processo geralmente envolve uma sequência de etapas bem definidas para maximizar a captura de alimento.
Em alguns grupos, vocalizações específicas são usadas para ajudar a coordenar o ataque e agrupar ainda mais os peixes, conforme relatado por estudos da Universidade do Havaí e da NOAA Fisheries.
Pesquisas recentes publicadas na revista Royal Society Open Science classificam a rede de bolhas como uma ferramenta. O estudo, conduzido por cientistas do Instituto de Biologia Marinha do Havaí e da Fundação de Baleias do Alasca, revelou que as jubartes ajustam ativamente detalhes da rede, como o número de anéis, o tamanho e o espaçamento entre as bolhas, para otimizar a caça.
Segundo os autores, este método permite que elas capturem até sete vezes mais presas em um único mergulho, sem gastar energia extra. Essa capacidade de criar e modificar uma estrutura para atingir um objetivo coloca as jubartes em um seleto grupo de animais que fabricam e utilizam ferramentas.
Nem toda baleia-jubarte sabe ou utiliza essa técnica de caça. A alimentação com rede de bolhas é um comportamento que apresenta variações regionais e parece ser transmitido por aprendizagem social dentro de diferentes populações, como aponta a NOAA.
Isso significa que a estratégia é cultural, com certos grupos desenvolvendo e aprimorando seus próprios padrões de ataque. Essa flexibilidade comportamental é vista pelos cientistas como uma vantagem crucial para a adaptação da espécie às mudanças nos oceanos.
Sim, em algumas populações que caçam em grupo, vocalizações específicas são emitidas para coordenar os movimentos e possivelmente para desorientar os peixes, fazendo com que se agrupem ainda mais dentro da rede de bolhas.
A barreira de bolhas não é uma parede sólida, mas funciona como uma barreira visual e física que a maioria das espécies de peixes de cardume tende a evitar. A cortina de ar altera o ambiente, confinando as presas no interior do círculo.
A dieta principal capturada com a rede de bolhas inclui pequenos crustáceos, como o krill, e peixes de cardume, como arenque, salmão e carapau.
A rede de bolhas é mais do que um espetáculo da natureza; é a prova da inteligência, da capacidade de aprendizado e da cooperação social das baleias-jubarte. Ao criar e manipular ferramentas complexas a partir do próprio ar, esses gigantes marinhos demonstram uma engenhosidade fundamental para sua sobrevivência, garantindo a energia necessária para suas longas migrações anuais.
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