Localizado na Ilha de Santa Maria, projeto prevê primeiro pouso de cápsula na UE ainda em 2026 e mira 30 satélites em órbita até 2030.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Portugal está construindo o primeiro porto espacial da Europa focado em operações reutilizáveis na Ilha de Santa Maria, no arquipélago dos Açores. A iniciativa visa posicionar o país como um centro estratégico para o lançamento de pequenos satélites e o pouso de naves espaciais, com a primeira operação prevista já para o segundo semestre de 2026.
O projeto, operado pelo Atlantic Spaceport Consortium (ASC), não pretende competir diretamente com o principal porto espacial europeu em Kourou, na Guiana Francesa. Segundo Bruno Carvalho, da ASC, a base será "um local de lançamento economicamente viável para foguetes menores com satélites menores" e funcionará como um complemento estratégico dentro do território da União Europeia.
A localização no meio do Oceano Atlântico é considerada ideal por ser uma área desabitada, o que facilita a segurança das operações de pouso de espaçonaves reutilizáveis. A infraestrutura, que reaproveitará uma antiga pista construída durante a Segunda Guerra Mundial, deve gerar cerca de 35 empregos diretos.
O cronograma do projeto já conta com datas definidas. O primeiro pouso aquático em território da União Europeia está previsto para o segundo semestre de 2026, com a cápsula de transporte Phoenix 2.1, da empresa alemã Atmos Space Cargo. Para 2028, é esperado o pouso da nave de carga europeia Space Rider, da Agência Espacial Europeia (ESA). Em 2030, está planejado o lançamento de um satélite sul-coreano a partir da base.
Paralelamente à construção do porto espacial, Portugal investe na capacidade de fabricar seus próprios satélites. Três centros de produção estão sendo desenvolvidos no Porto, em Coimbra e em Lisboa. A meta da Agência Espacial Portuguesa, segundo seu presidente Ricardo Conde, é ambiciosa: ter 30 satélites portugueses em órbita até 2030, alguns em cooperação com a Espanha.
A estratégia foca em satélites menores, com custos entre 20 e 30 milhões de euros, em um movimento que André Dias, do consórcio CEiiA, descreve como uma "espécie de democratização dos voos espaciais", contrastando com os grandes equipamentos que podem custar até 500 milhões de euros.
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