Conhecidos pela inteligência, macacos-prego adaptam sua dieta em cenários de escassez, tornando-se predadores de répteis, aves e roedores. Saiba mais sobre o comportamento.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 29 de agosto de 2026. O macaco-prego (gênero Sapajus), conhecido por sua notável inteligência, demonstra um comportamento de caça sofisticado, especialmente em ambientes desafiadores como a Caatinga no Piauí. Embora sua dieta seja majoritariamente baseada em frutos e insetos, esses primatas são onívoros e capazes de predar pequenos vertebrados, uma habilidade que pode se intensificar em períodos de escassez de alimentos, segundo especialistas.
Os macacos-prego são onívoros, o que significa que sua alimentação inclui tanto vegetais quanto animais. De acordo com o biólogo e primatólogo Tiago Falótico, a dieta mais comum é composta por frutos e invertebrados, mas eles podem consumir também folhas, flores, ovos e, ocasionalmente, pequenos vertebrados. Em situações de escassez de comida, essa adaptabilidade se torna crucial.
Falótico explica que, como generalistas, os macacos-prego podem "mudar a dieta para se adequar à disponibilidade da área e ou da época". A predação de vertebrados, como lagartos, anfíbios, roedores, aves e morcegos, ocorre principalmente por oportunismo, quando uma presa potencial está próxima. A técnica de captura geralmente é solitária, envolvendo perseguição, captura com as mãos e mordidas na cabeça da presa.
No Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, o comportamento dos macacos-prego (Sapajus libidinosus) é particularmente notável. Eles utilizam ferramentas de forma complexa, uma habilidade rara entre os animais. Pedras são usadas com grande habilidade para quebrar a casca de cocos e castanhas-de-caju, em um sistema que cientistas chamam de "martelo e bigorna".
Além disso, os primatas manuseiam gravetos e varetas que se transformam em ferramentas de caça para desentocar lagartos e insetos de suas tocas. Essa capacidade de usar diferentes recursos da natureza para obter alimentos mais nutritivos demonstra uma compreensão sofisticada do ambiente e das propriedades físicas dos objetos, sendo um comportamento transmitido culturalmente entre as gerações.
O macaco-prego é onívoro e possui uma dieta muito variada. A base de sua alimentação são frutos, sementes e insetos, mas ele também consome folhas, flores, ovos e pode predar ativamente pequenos animais como lagartos, roedores, aves, anfíbios e até morcegos.
Eles usam ferramentas, como pedras e gravetos, para acessar alimentos que seriam difíceis de obter de outra forma. As pedras servem para quebrar frutos e sementes de casca dura, enquanto os gravetos são usados para extrair insetos, larvas e pequenos lagartos de buracos e fendas.
Os macacos-prego do gênero Sapajus são encontrados em praticamente todos os biomas do Brasil, desde a Amazônia e Mata Atlântica até o Cerrado e a Caatinga. O comportamento de uso de ferramentas e caça é especialmente bem documentado em populações que vivem em ambientes mais abertos e com sazonalidade de recursos, como a Caatinga no Piauí.
A imagem do macaco-prego como um simples comedor de frutas é incompleta. Trata-se de um primata altamente adaptável e inteligente, capaz de se tornar um caçador eficiente quando as condições ambientais exigem. O uso de ferramentas para predar outras espécies no Piauí e em outras regiões do Brasil reforça sua posição como um dos animais mais versáteis e cognitivamente complexos da fauna sul-americana.
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