Um novo dispositivo com IA, chamado CapuchinAI, está revelando como macacos-prego selvagens aprendem e tomam decisões em seu habitat na Costa Rica.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 3 de agosto de 2026. Pesquisadores na Costa Rica desenvolveram um dispositivo com inteligência artificial (IA) para estudar a cognição de macacos-prego selvagens em seu ambiente natural. O equipamento, batizado de CapuchinAI, utiliza uma tela sensível ao toque para apresentar tarefas interativas e recompensar os animais, abrindo um novo caminho para entender como eles aprendem e tomam decisões.
Instalado na Reserva Florestal de Taboga, o CapuchinAI consiste em uma caixa de madeira com uma tela de 15 polegadas, uma câmera e um dispensador de recompensas. Segundo reportagem da Superinteressante, o sistema utiliza um modelo de IA treinado para reconhecer os rostos dos macacos-prego da espécie Cebus imitator, permitindo monitorar as respostas individuais em testes de aprendizado.
Quando um macaco se aproxima, a câmera é ativada. Ao tocar em um quadrado azul na tela, o dispositivo libera uma fatia de banana desidratada como recompensa. Essa interação permite que os cientistas coletem dados sobre o comportamento dos primatas de forma sistematizada e com mínima interferência humana, algo difícil de alcançar em laboratórios.
Os testes iniciais, realizados em 2025, mostraram resultados promissores. De acordo com o Olhar Digital, um total de 16 macacos interagiram com o dispositivo. Desses, 10 aprenderam a tocar na tela para receber o alimento, e pelo menos oito mantiveram o conhecimento em sessões posteriores. O primeiro a desvendar o mecanismo foi um macho dominante chamado Papi.
Os pesquisadores observaram diferenças notáveis no comportamento dos animais:
"Se realmente queremos entender como os primatas tomam decisões, se queremos entender como eles usam esses grandes cérebros que evoluíram, precisamos colocar isso no contexto do mundo em que eles estão navegando", afirmou Marcela Benítez, primatóloga da Universidade Emory, ao The New York Times, conforme citado pelo Olhar Digital.
A próxima fase do projeto incluirá um modelo de reconhecimento facial mais avançado e desafios cognitivos mais complexos. Os pesquisadores planejam testar o controle de impulsos, recompensando os macacos apenas se tocarem em quadrados verdes e ignorarem os vermelhos, por exemplo. A IA permitirá que cada indivíduo tenha sua própria progressão nos testes, limitando também a quantidade de comida que cada um pode receber para evitar que animais dominantes monopolizem o acesso.
Essa iniciativa faz parte de uma tendência maior no uso de IA para estudar e proteger a vida selvagem. Outros projetos na Costa Rica já utilizam bioacústica e IA para monitorar espécies ameaçadas, como os macacos-aranha, analisando seus chamados para mapear deslocamentos e entender o impacto de estradas e plantações em seus habitats.
CapuchinAI é um dispositivo experimental que usa inteligência artificial, uma câmera e uma tela sensível ao toque para estudar como macacos-prego selvagens aprendem e resolvem problemas em seu habitat natural na Costa Rica, recompensando-os com comida por interações específicas.
Estudar primatas na natureza permite observar como suas habilidades cognitivas são aplicadas aos desafios reais de sobrevivência em um ambiente complexo e competitivo, algo que não pode ser totalmente replicado em um laboratório. Conforme a professora Marcela Benítez, o cérebro dos primatas evoluiu nesses ambientes, e não em cativeiro.
Sim. A inteligência artificial é uma ferramenta poderosa para a conservação. Além de estudos cognitivos como o CapuchinAI, a tecnologia é usada para monitorar populações de espécies ameaçadas através de bioacústica, identificar indivíduos e analisar como eles utilizam corredores ecológicos, ajudando a criar estratégias de proteção mais eficazes.
O projeto CapuchinAI demonstra o potencial da inteligência artificial como uma ferramenta para a primatologia, oferecendo uma janela sem precedentes para a mente dos macacos-prego em estado selvagem. Ao combinar tecnologia e observação, os cientistas esperam desvendar como a cognição se relaciona com os desafios do ambiente e, em última análise, com a sobrevivência das espécies.
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