Há 250 milhões de anos, a pior extinção da Terra eliminou 80% da vida marinha. Um estudo revela por que animais com metabolismo mais rápido sobreviveram.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Os grupos de animais que dominam os oceanos hoje, como peixes e moluscos, sobreviveram à pior extinção em massa da história da Terra por terem organismos mais tolerantes ao aquecimento global e à falta de oxigênio. Atualizado em 12 de julho de 2026, um estudo da Universidade de Stanford revela que essa capacidade metabólica foi o fator decisivo há 250 milhões de anos.
A extinção em massa do final do Período Permiano, também conhecida como "A Grande Morte", foi a mais severa já registrada, superando a que dizimou os dinossauros. O evento eliminou cerca de 80% das espécies marinhas e 70% das que viviam em terra, de acordo com pesquisas publicadas na revista científica PNAS. Antes da catástrofe, os mares eram dominados por animais que hoje são raros, como crinoides (parentes das estrelas-do-mar) e braquiópodes, que compunham a chamada "fauna paleozoica".
A principal causa da mortandade foram erupções vulcânicas massivas na região da atual Sibéria. Segundo os estudos, essa atividade geológica liberou quantidades imensas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, gerando um aquecimento global descontrolado. Como resultado, a temperatura na superfície dos oceanos subiu até 11 graus Celsius, a água perdeu oxigênio (hipóxia) e tornou-se mais ácida. Esse trio de desafios — calor, dificuldade para respirar e barreiras para formar conchas — criou um ambiente hostil para a maior parte da vida marinha.
O estudo coordenado por Andres Marquez e Erik Sperling, da Universidade de Stanford, mostrou que as mudanças ambientais funcionaram como um filtro evolutivo. A "fauna moderna", composta por ancestrais de moluscos e peixes, sobreviveu melhor por possuir um sistema circulatório mais desenvolvido. Essa característica permitiu que lidassem com o aumento da taxa metabólica exigido pelas águas mais quentes, distribuindo oxigênio e nutrientes de forma mais eficiente pelo corpo. Em contrapartida, a "fauna paleozoica", de metabolismo mais lento, não conseguiu se adaptar. "É por isso que comemos sopa de amêijoas e não comemos sopa de braquiópodes. Os braquiópodes quase não têm carne", explicou Sperling ao Correio Braziliense, ilustrando a diferença metabólica.
A pior extinção em massa foi a do final do Período Permiano, há cerca de 250 milhões de anos. Conhecida como "A Grande Morte", ela eliminou mais de 95% de todas as espécies do planeta, segundo estimativas de diversas fontes.
Grupos com metabolismo mais rápido e sistemas circulatórios mais eficientes, como os ancestrais dos moluscos (amêijoas, caracóis) e peixes, tiveram mais sucesso. Animais de metabolismo lento, como braquiópodes e crinoides, foram quase totalmente dizimados.
A causa principal foram intensas e prolongadas erupções vulcânicas na Sibéria. Elas liberaram gases de efeito estufa que causaram aquecimento global extremo, acidificação dos oceanos e perda de oxigênio na água, tornando o planeta inabitável para a maioria das espécies.
A sobrevivência na maior extinção da Terra foi determinada pela capacidade fisiológica de suportar um clima em rápida mudança. Os pesquisadores alertam que as condições daquela época — aquecimento acelerado e desoxigenação dos oceanos — são semelhantes às que o planeta enfrenta hoje devido à queima de combustíveis fósseis, servindo como um importante aviso sobre a vulnerabilidade dos ecossistemas atuais.
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