Cientistas usam a IA GenoMorph para mapear o DNA do dodô e recriar a ave extinta. A tecnologia analisa genes do pombo-de-nicobar. Saiba como funciona.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O dodô, ave extinta há mais de 360 anos, pode estar um passo mais perto de voltar à vida graças a uma nova plataforma de inteligência artificial. A empresa de biotecnologia Colossal Biosciences anunciou avanços em seu projeto para recriar a espécie, utilizando IA para mapear o DNA do animal e identificar os genes responsáveis por suas características únicas. Atualizado em 20 de outubro de 2026.
A Colossal Biosciences desenvolveu uma plataforma de IA chamada GenoMorph para superar um dos maiores desafios do projeto: a escassez de material genético do dodô. Com apenas um genoma completo disponível, é difícil para os cientistas comparar indivíduos e identificar quais genes definem a aparência da ave, como seu bico largo e curvado, conforme detalhado em análises da Exame e Revista Galileu.
A GenoMorph contorna esse problema ao analisar dados genéticos e morfológicos de mais de 70 espécies de aves vivas, como pombos, patos e galinhas. Segundo a Folha de S.Paulo, a IA aprende quais "interruptores genéticos" controlam o formato de crânios e bicos, criando um "mapa do tesouro" no genoma do dodô. Com isso, a plataforma identificou cerca de 2.300 alvos genéticos promissores relacionados à estrutura facial da ave extinta, reduzindo drasticamente o tempo de pesquisa em laboratório.
Não se trata de uma clonagem convencional. A estratégia, conforme divulgado pela Colossal, é utilizar o parente vivo mais próximo do dodô: o pombo-de-nicobar (Caloenas nicobarica). O plano é editar o DNA de células dessa ave para incorporar as características do dodô identificadas pela inteligência artificial.
Um avanço crucial nesse sentido foi o cultivo em laboratório de Células Germinativas Primordiais (PGCs) de pombos, que são precursoras de óvulos e espermatozoides. De acordo com a Super Rádio Tupi, essa técnica abre caminho para as pesquisas reprodutivas necessárias para, eventualmente, gerar descendentes com os traços genéticos modificados.
Identificar os 2.300 alvos genéticos é apenas o primeiro passo. Agora, os cientistas precisam validar em laboratório quais dessas alterações realmente influenciam a anatomia do animal e se são seguras. Os desafios incluem:
GenoMorph é um sistema de inteligência artificial que combina genômica comparativa, morfologia 3D e biologia do desenvolvimento para identificar regiões do DNA ligadas a características físicas. Ele foi criado pela Colossal Biosciences para acelerar projetos de "desextinção", especialmente de espécies com material genético limitado, como o dodô.
A Colossal Biosciences não divulgou um prazo oficial para o nascimento de uma ave semelhante ao dodô. No entanto, após o sucesso no cultivo de células PGCs, executivos da empresa mencionaram à Gazeta do Povo uma estimativa de cinco a sete anos para apresentar um exemplar.
O dodô (Raphus cucullatus), que vivia exclusivamente nas Ilhas Maurício, foi extinto no século XVII, cerca de 100 anos após a chegada dos humanos. Seu desaparecimento foi causado pela caça e, principalmente, pela introdução de espécies invasoras, como ratos e porcos, que se alimentavam de seus ovos, já que a ave fazia ninhos no chão.
O uso de inteligência artificial pela Colossal Biosciences representa um avanço significativo na tentativa de recriar características do dodô. Embora a tecnologia acelere a identificação de alvos genéticos, o caminho para trazer de volta uma ave funcional e reintroduzi-la na natureza ainda é longo e repleto de desafios científicos e ecológicos. O projeto, no entanto, já desenvolve técnicas que podem ser aplicadas na conservação de espécies atualmente ameaçadas de extinção.
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