Cientistas identificam nova espécie, Herugavialis cairensis, a partir de fóssil com focinho quebrado, assim como o monumento. Saiba mais sobre a descoberta.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma nova espécie de crocodilo que viveu há 45 milhões de anos foi identificada em fósseis encontrados na mesma formação rochosa usada para construir a Grande Esfinge de Gizé, no Egito. Batizado de Herugavialis cairensis, o animal pré-histórico apresenta uma curiosa semelhança com o monumento: seu crânio fossilizado não possui a ponta do focinho, assim como a Esfinge não tem seu nariz. Atualizado em 8 de outubro de 2026.
O fóssil, que inclui um crânio quase completo, foi originalmente encontrado na década de 1920 na Formação Mokattam, no Egito. Conforme relatado pela revista Royal Society Open Science, na época, ele foi atribuído ao gênero Tomistoma devido à sua semelhança com o falso-gavial moderno. No entanto, quase um século depois, uma equipe internacional de pesquisadores reexaminou o material.
Utilizando tomografia computadorizada para analisar o interior do crânio, os cientistas identificaram características distintas que não correspondiam ao falso-gavial, levando à classificação de um novo gênero e espécie. A descoberta destaca a importância de reavaliar coleções de museus com tecnologias modernas.
O Herugavialis cairensis pertence ao grupo dos gaviais, crocodilianos conhecidos por seus focinhos longos e estreitos, adaptados para capturar peixes. De acordo com a CNN, ele habitava os mares rasos e quentes que cobriam a região do Egito há 45 milhões de anos. Suas características incluem:
A coincidência entre o focinho ausente do fóssil e o nariz perdido da Esfinge inspirou o nome do animal. Segundo Philip Mannion, paleontólogo da University College London, o nome Herugavialis é uma homenagem a "Heru", o nome egípcio do deus Hórus, que possivelmente serviu de inspiração para a construção da Esfinge. A descoberta foi amplamente divulgada por veículos como a Revista Galileu e a Phys.org.
O registro fóssil mostra que os gaviais já tiveram uma distribuição quase global, ao contrário de hoje, quando as duas espécies sobreviventes se restringem a ambientes de água doce na Ásia. Paul Burke, pesquisador do Museu Sueco de História Natural, explicou que a diversidade de crocodilos no Mediterrâneo flutuou com as mudanças climáticas e o nível do mar, até desaparecerem da região há cerca de 6 milhões de anos, quando o mar secou.
Herugavialis cairensis é uma nova espécie de crocodilo extinto que viveu há 45 milhões de anos no Egito. Pertencente ao grupo dos gaviais, ele foi identificado a partir de um fóssil encontrado na mesma formação rochosa da Grande Esfinge.
O fóssil foi encontrado na Formação Mokattam, uma camada de calcário no norte do Egito que foi usada pelos antigos egípcios para construir monumentos como a Grande Esfinge e as pirâmides de Gizé.
O nome foi inspirado em uma coincidência: o crânio fossilizado não tem a ponta do focinho, assim como a Esfinge não tem seu nariz. Por isso, os pesquisadores o nomearam em homenagem a Heru (Hórus), o deus egípcio que se acredita ter inspirado o monumento.
A identificação do Herugavialis cairensis não apenas adiciona um novo ramo à árvore genealógica dos crocodilos, mas também reforça a rica biodiversidade que existia no antigo Mediterrâneo. A descoberta, feita a partir de um fóssil de quase cem anos, sublinha o potencial de novas revelações escondidas em coleções de museus ao redor do mundo.
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