Inteligência artificial revela segredos militares em carta cifrada de 1809. Engenheiro usou o modelo para traduzir 1,3 mil sinais em apenas seis horas.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma mensagem militar secreta, ordenada por Napoleão Bonaparte e escrita há 217 anos, foi decifrada em apenas seis horas com o auxílio de inteligência artificial. O feito foi realizado pelo engenheiro de IA Carter Church, que utilizou o modelo GPT-6 Astra, da OpenAI, para traduzir um complexo código com cerca de 1,3 mil sinais. Atualizado em 3 de outubro de 2026.
A carta, datada de março de 1809, continha informações estratégicas sobre a posição de tropas francesas e aliadas durante os preparativos para a guerra contra a Áustria. A solução foi validada pelo criptógrafo Satoshi Tomokiyo, responsável pelo site Cryptiana, que agora classifica a cifra como "resolvida", conforme noticiado pela Revista Galileu.
A mensagem decifrada era destinada ao marechal Auguste de Marmont e detalhava a disposição de diversas forças militares na Europa. O texto, enviado por ordem de Napoleão através de seu enteado Eugène de Beauharnais, informava sobre a localização de exércitos comandados por generais notórios como Davout, Masséna e Bernadotte, além de tropas bávaras, polonesas e saxãs.
Segundo o site Aventuras na História, a carta continha um trecho para tranquilizar o general Marmont, que estava em uma posição isolada na Dalmácia. A instrução dizia: "Quando receber a ordem de marchar, não deve se deixar intimidar por algumas poucas tropas ou por uma aglomeração de ralé".
O desafio era imenso. A carta utilizava uma cifra homofônica, um sistema onde uma mesma letra pode ser representada por múltiplos símbolos, dificultando a análise de frequência. Havia 155 sinais diferentes em um total de 1,3 mil unidades cifradas, registradas em uma imagem de baixa resolução de 1969.
O processo executado pelo GPT-6 Astra, conforme descrito por Carter Church, envolveu várias etapas complexas:
Além de revelar o conteúdo, a decodificação ajudou a corrigir a data do documento. O registro no site Cryptiana apontava o ano de 1807, mas a análise do texto e do contexto militar confirmou que a carta foi escrita em março de 1809, pouco antes da Guerra da Quinta Coalizão, como informa o Diário do Pará. Essa nova datação preenche uma lacuna em uma versão publicada das ordens de Napoleão, que interrompia uma frase justamente onde a carta decifrada continua com a expressão "uma reunião de ralé".
A carta foi decifrada pelo modelo GPT-6 Astra, desenvolvido pela OpenAI, a mesma empresa responsável pelo ChatGPT. O trabalho foi conduzido pelo engenheiro de inteligência artificial Carter Church.
O processo completo, desde a análise da imagem até a tradução final da mensagem, levou aproximadamente seis horas, um feito notável para um código que permaneceu insolúvel por mais de dois séculos.
A criptografia era uma ferramenta militar essencial no século XIX. Como as mensagens eram levadas por mensageiros e podiam ser interceptadas pelo inimigo, o uso de códigos complexos garantia que informações vitais, como a posição de milhares de soldados, não fossem compreendidas pelos adversários.
A decodificação da carta de Napoleão pela inteligência artificial não apenas soluciona um enigma histórico de 217 anos, mas também demonstra o potencial da tecnologia como uma ferramenta poderosa para a pesquisa histórica. Ao combinar tarefas de transcrição, análise criptográfica e pesquisa contextual, a IA acelera descobertas que antes exigiriam anos de trabalho de múltiplos especialistas.
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