Pesquisadores encontram dentes fossilizados de 7 espécies de tubarões no Platô de Abu-Tartur, uma área que já foi um mar tropical há milhões de anos.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma descoberta no Deserto Ocidental do Egito revelou um "cemitério de tubarões" com milhões de anos, em uma área que hoje é completamente árida. Atualizado em 30 de agosto de 2026, o estudo identificou dentes fossilizados de sete espécies de tubarões, incluindo cinco nunca antes vistas na região, provando que o local já foi um mar tropical durante o período Cretáceo Superior.
Pesquisadores da Universidade do Cairo encontraram 14 dentes fossilizados na Formação Duwi, uma área rica em fosfato no Platô de Abu-Tartur. Conforme publicado na revista Cretaceous Research, a análise desses fósseis permitiu identificar cinco espécies de tubarões lamniformes extintos, elevando para sete o número total de espécies conhecidas na localidade (Aventuras na História, Metrópoles).
Os dentes apresentam formatos variados, desde finos como agulhas até largos e serrilhados, indicando diferentes nichos alimentares dentro do antigo ecossistema marinho (O Antagonista). A descoberta reforça que a região abrigava uma complexa teia alimentar, de pequenos peixes a grandes predadores.
Durante o Cretáceo Superior, entre 145 e 66 milhões de anos atrás, o planeta era mais quente e os níveis dos oceanos, mais altos. Grande parte do norte da África, incluindo o Deserto Ocidental do Egito, estava submersa por um mar tropical (Revista Galileu). Os sedimentos ricos em matéria orgânica que se acumularam nesse período formaram os depósitos de fosfato que hoje preservam fósseis de peixes, tartarugas e répteis marinhos, além dos tubarões recém-descobertos.
A descoberta trouxe à luz espécies notáveis e inéditas para a ciência na região. Duas delas, Serratolamna serrata e Squalicorax bassanii, nunca haviam sido registradas no Egito antes (Aventuras na História). O destaque, no entanto, foi a identificação do Scapanorhynchus raphiodon, um parente antigo do atual tubarão-duende.
Este achado pode representar o primeiro registro dessa espécie em todo o continente africano e, possivelmente, sua aparição mais recente no registro fóssil mundial, embora a confirmação dependa de futuras análises (O Antagonista, Revista Galileu).
O termo "cemitério de tubarões" (shark graveyard) não significa que os animais morreram juntos em um evento único. A camada de fosfato onde os dentes foram encontrados é uma "seção condensada", ou seja, um local onde poucos sedimentos se acumularam ao longo de um vasto período, reunindo restos de animais de diferentes épocas e habitats na mesma rocha (Revista Galileu, O Antagonista).
Os dentes foram preservados nas camadas ricas em fosfato da Formação Duwi. Esses depósitos se formaram em um ambiente marinho com alta produtividade biológica, o que favoreceu a fossilização. Como os esqueletos de tubarões são de cartilagem e raramente se fossilizam, os dentes são as principais pistas para estudar espécies antigas (Revista Galileu).
A diversidade de espécies de tubarões indica que o antigo mar egípcio era extremamente rico em nutrientes e sustentava um ecossistema de alta produtividade. O achado ajuda a reconstruir como eram os mares do norte da África em um período em que os continentes e o clima global eram muito diferentes dos atuais (Aventuras na História, ZAP Notícias).
A descoberta no deserto egípcio é uma janela para um mundo perdido, reescrevendo parte do mapa do planeta durante o Cretáceo. Os dentes fossilizados não apenas adicionam novas espécies ao registro paleontológico, mas também confirmam a existência de um oceano vibrante e diverso onde hoje existe uma das paisagens mais secas da Terra.
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