Pesquisadores revelam como um grupo de cinco humanos e um cão explorou a Caverna Bàsura, na Itália, há 14,4 mil anos. Entenda a técnica de iluminação.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Há cerca de 14.400 anos, um pequeno grupo de humanos pré-históricos, acompanhado por um cão, adentrou a escuridão da Caverna Bàsura, na Itália, e percorreu aproximadamente 800 metros usando uma tecnologia surpreendentemente simples: pequenos galhos de pinheiro como tochas. Atualizado em 22 de junho de 2026, um estudo multidisciplinar combinou arqueologia e experimentos práticos para reconstruir essa jornada do final da Era do Gelo.
A investigação na Caverna Bàsura, localizada na região da Ligúria, revelou um conjunto raro de vestígios do período Epigravettiano. De acordo com as pesquisas, foram encontradas pegadas fossilizadas de cinco pessoas — incluindo uma criança — e de um cão, além de fragmentos de carvão nas paredes e no teto. Os primeiros estudos no local ocorreram na década de 1950, mas foi o projeto "Bàsura Revisited", iniciado em 2016, que utilizou técnicas modernas para desvendar como o grupo navegou pela escuridão, conforme detalhado em publicações científicas.
Análises dos 56 fragmentos de carvão encontrados no "Salão dos Mistérios" mostraram que a maioria pertencia a galhos finos de pinheiro-silvestre, com menos de três centímetros de diâmetro. Essa evidência desafiou a antiga hipótese de que grandes tochas eram usadas. Os pesquisadores concluíram que os galhos foram retirados de árvores vivas e preparados especificamente para a expedição, pois não apresentavam fungos típicos de madeira caída.
Para validar a teoria, cientistas realizaram experimentos em uma caverna próxima com características semelhantes. Os testes, envolvendo cinco voluntários, demonstraram que apenas dois galhos acesos eram suficientes para iluminar o grupo em fila. Essa configuração produzia pouca fumaça e menos ofuscamento que tochas maiores, com uma visibilidade de até dez metros. Cada galho queimava a uma taxa de quatro centímetros por minuto, e a equipe estimou que cerca de vinte galhos de trinta centímetros seriam necessários para a viagem de ida e volta, que durou aproximadamente duas horas.
As pegadas indicam que o grupo se movia em fila indiana, uma estratégia segura também usada por animais como ursos e lobos em ambientes desconhecidos. A presença do cão, segundo os arqueólogos, sugere que ele poderia ter atuado como protetor, especialmente considerando que a caverna continha restos de ursos-das-cavernas. Os participantes dos testes modernos frequentemente mantinham contato físico, com a mão no ombro da pessoa à frente, para facilitar a travessia em trechos estreitos e irregulares.
A iluminação era feita com pequenos e finos galhos de pinheiro-silvestre, que funcionavam como fontes de luz portáteis. Eles produziam uma chama controlada, pouca fumaça e eram mais eficientes para ambientes fechados do que tochas grandes e tradicionais.
As pegadas preservadas indicam a presença de um grupo de cinco pessoas, incluindo pelo menos uma criança, que foram acompanhadas por um cão domesticado.
Os motivos exatos ainda são investigados, mas as hipóteses incluem a realização de rituais, busca por recursos naturais, abrigo temporário ou a simples exploração do território, demonstrando planejamento e cooperação.
A exploração da Caverna Bàsura há 14.400 anos é um testemunho notável da engenhosidade e capacidade de adaptação dos caçadores-coletores do Paleolítico Superior. A descoberta revela como, com planejamento e uma tecnologia simples, eles foram capazes de enfrentar os desafios de um ambiente extremo, transformando a escuridão profunda em um caminho seguro.
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