Em 2007, uma baleia-da-groenlândia foi encontrada com um arpão de 1880. Entenda como o animal sobreviveu e qual o segredo para viver mais de 200 anos.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 24 de setembro de 2024. A descoberta de uma baleia-da-groenlândia (Balaena mysticetus) com um fragmento de arpão do século XIX cravado em seu corpo revelou a extraordinária longevidade da espécie. Capturado em maio de 2007 na costa do Alasca, o animal sobreviveu por mais de um século a um ataque, com uma idade estimada em cerca de 130 anos na época, segundo cientistas.
O evento ocorreu quando caçadores capturaram o mamífero e encontraram um objeto metálico alojado em um osso entre o pescoço e a omoplata. Análises posteriores, confirmadas por John Bockstoce, curador do Museu da Baleia de New Bedford, revelaram que o artefato era a ponta de uma "lança-bomba" fabricada na Nova Inglaterra por volta de 1880.
A sobrevivência da baleia ao ataque é atribuída à sua robustez. Conforme relatos, mesmo que o dispositivo tenha explodido, a espessa camada de gordura do animal, que pode atingir 50 centímetros, e seus ossos sólidos a protegeram de ferimentos fatais. O arpão atingiu a baleia em um local não letal, permitindo que ela vivesse por mais um século com o fragmento no corpo.
A descoberta impulsionou pesquisas sobre a longevidade da espécie, considerada o mamífero mais longevo do planeta. Estudos genéticos e biológicos apontam para mecanismos únicos que retardam o envelhecimento e protegem contra doenças como o câncer.
Pesquisas indicam que as células da baleia-da-groenlândia possuem uma capacidade excepcionalmente alta para reparar danos no DNA. Diferente de outros animais grandes, que acumulam cópias de genes supressores de tumores, esta espécie evoluiu para reparar com precisão as células danificadas, em vez de eliminá-las. Esse mecanismo eficiente, ligado a proteínas como a CIRBP e RPA2, ajuda a manter a integridade do genoma ao longo de séculos e explica por que animais tão grandes e longevos não desenvolvem altas taxas de câncer, um fenômeno conhecido como Paradoxo de Peto.
Além da genética, a baleia-da-groenlândia possui um metabolismo extremamente lento, o que reduz o desgaste celular ao longo do tempo. Sua enorme cabeça, que compõe quase um terço do corpo, é usada para quebrar camadas de gelo de até 60 cm para respirar, uma adaptação crucial para viver exclusivamente nas águas geladas do Ártico. A espessa camada de gordura não só protege contra ataques, mas também serve como isolante térmico e reserva de energia.
Enquanto o espécime de 2007 tinha cerca de 130 anos, a espécie pode viver muito mais. A expectativa de vida média é de aproximadamente 200 anos. Análises genéticas conduzidas pela CSIRO, agência científica da Austrália, sugerem que a longevidade máxima natural pode chegar a 268 anos. Outros métodos, como a racemização de aminoácidos em lentes oculares, estimaram a idade de outros indivíduos entre 177 e 245 anos.
A baleia-da-groenlândia (Balaena mysticetus) é considerada o mamífero mais longevo, com uma expectativa de vida que ultrapassa 200 anos e pode chegar a 268 anos, segundo estimativas genéticas.
Sua espessa camada de gordura, que pode chegar a 50 cm, e ossos robustos protegeram seus órgãos vitais. O arpão a atingiu em um local não letal, permitindo sua sobrevivência por mais de um século.
O mamífero foi capturado por caçadores na costa do Alasca em maio de 2007, quando o fragmento de arpão centenário foi descoberto.
O caso da baleia com o arpão centenário é um testemunho impressionante da resiliência e da longevidade da baleia-da-groenlândia. Suas adaptações únicas, desde um sistema de reparo de DNA superior até características físicas extremas, permitem que ela não apenas sobreviva em um dos ambientes mais hostis da Terra, mas também viva por séculos, guardando segredos de eras passadas. Atualmente, a espécie é considerada ameaçada de extinção, com uma população estimada entre 8 mil e 12 mil indivíduos.
Descoberto em 1920, o meteorito Hoba é a maior massa de ferro intacta na Terra, com 60 toneladas. Entenda sua origem e o mistério de como caiu sem cratera.
O planeta Vênus atinge seu pico de luminosidade e pode ser visto a olho nu em todo o Brasil. Saiba o melhor horário e a direção para observar o fenômeno.
Conheça o Leopardus tilcayo, o pequeno felino selvagem identificado nas florestas de Yungas. Entenda como a análise de DNA revelou a primeira nova espécie em um século.
Prepare-se para o evento astronômico de 2 de agosto de 2027, que promete mais de 6 minutos de escuridão. Saiba onde o fenômeno será visível e por que é tão raro.