Um homem que procurava ouro na Austrália guardou por anos uma rocha de 17 kg. Após falhar em abri-la, descobriu se tratar de um raro objeto espacial. Saiba mais.
Olyvio Marques
Editor · Espaço · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um garimpeiro australiano que passou anos tentando abrir uma rocha de 17 quilos, acreditando ser uma pepita de ouro, descobriu que o objeto era um raro meteorito de 4,6 bilhões de anos. A descoberta ocorreu em 2015, mas a confirmação científica só veio anos depois. Atualizado em 22 de junho de 2027.
Em 2015, David Hole utilizava um detector de metais no Parque Regional de Maryborough, na Austrália, uma área historicamente conhecida pela corrida do ouro no século XIX. Ele encontrou uma rocha avermelhada, incomumente pesada para seu tamanho e coberta por argila amarela, e presumiu se tratar de uma valiosa pepita de ouro, conforme relatado por múltiplas fontes.
Convencido do valor do achado, Hole levou a rocha de 17 quilos para casa e, por anos, tentou abri-la. Ele usou serra, esmerilhadeira, furadeira e até mesmo ácido, mas nenhuma ferramenta conseguiu sequer rachar o objeto resistente. A persistência só terminou quando ele decidiu levar a peça para análise no Museu de Melbourne.
No museu, o geólogo Dermot Henry rapidamente identificou a rocha como algo muito mais raro que ouro. "Em 37 anos trabalhando no museu, essa é apenas a segunda vez em que me trouxeram um meteorito de verdade", afirmou Henry, segundo o site Aventuras na História. A aparência "esculpida e com covinhas" da rocha, explicou o especialista, é resultado da queima e derretimento de sua superfície ao atravessar a atmosfera da Terra.
Análises detalhadas, que exigiram uma serra de diamante para cortar uma pequena fatia, revelaram a composição do objeto. Batizado de Meteorito de Maryborough, ele é um condrito comum do tipo H5, com alto teor de ferro e pequenas partículas cristalizadas de minerais conhecidas como côndrulos. Sua idade foi estimada em 4,6 bilhões de anos, sendo contemporâneo à formação do nosso Sistema Solar.
Os pesquisadores acreditam que o meteorito veio do cinturão de asteroides localizado entre Marte e Júpiter. A datação por carbono indica que ele está na Terra há um período entre 100 e 1.000 anos. O achado é um dos apenas 17 meteoritos já registrados no estado de Victoria e o segundo mais pesado encontrado na região.
David Hole encontrou um meteorito de 17 quilos e 4,6 bilhões de anos no Parque Regional de Maryborough, na Austrália, enquanto procurava por ouro com um detector de metais em 2015.
Trata-se de um condrito comum H5, uma rocha espacial com alta concentração de ferro e que contém côndrulos, que são minúsculas partículas minerais cristalizadas.
Cientistas do Museu de Melbourne acreditam que o Meteorito de Maryborough se originou no cinturão de asteroides, uma região do Sistema Solar localizada entre as órbitas de Marte e Júpiter.
A história de David Hole ilustra como um tesouro científico pode ser confundido com um tesouro material. A rocha que resistiu a todas as tentativas de ser aberta por anos revelou-se uma cápsula do tempo, oferecendo aos cientistas pistas valiosas sobre a formação e a química do Sistema Solar, um valor que, para a ciência, supera em muito o do ouro.
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