Em 1966, os cães Veterok e Ugolyok passaram 21 dias em órbita na Kosmos 110 para testar os limites do corpo. Conheça a história do recorde canino.
Olyvio Marques
Editor · Espaço · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Em 1966, os cães soviéticos Veterok e Ugolyok estabeleceram um recorde que perdura até hoje ao sobreviverem a uma missão de quase 22 dias no espaço. Lançados a bordo da nave Kosmos 110, eles foram peças centrais de um experimento para estudar os efeitos de voos prolongados em organismos vivos, abrindo caminho para futuras missões humanas. Atualizado em 27 de setembro de 2026.
Veterok ("Brisa") e Ugolyok ("Carvãozinho") foram dois cães selecionados para a missão Kosmos 110, parte do programa espacial soviético. De acordo com relatos da época, os cientistas preferiam usar cães de rua por acreditarem que eles seriam mais resistentes ao estresse extremo de um voo espacial. O programa utilizou dezenas de cães para testar a viabilidade das viagens espaciais antes de enviar humanos.
Lançada em 22 de fevereiro de 1966, a Kosmos 110 tinha um objetivo claro: investigar como a longa exposição à microgravidade e à radiação afetaria o corpo. A órbita da nave foi projetada para atravessar os cinturões de radiação de Van Allen, expondo os animais a níveis elevados de radiação para estudo, conforme documentado pela NASA. O plano inicial era que a missão durasse 25 dias, mas foi interrompida.
Perto do final da terceira semana, os controladores da missão notaram uma deterioração na qualidade do ar da cabine e decidiram antecipar o retorno. Em 16 de março de 1966, após quase 22 dias em órbita, a cápsula pousou com Veterok e Ugolyok vivos. No entanto, o voo teve um custo físico severo. Os exames pós-missão revelaram que os cães sofreram com:
Apesar das dificuldades, os cães se recuperaram, e os dados coletados foram cruciais para entender os desafios fisiológicos de viagens espaciais de longa duração.
Veterok e Ugolyok estabeleceram o recorde de voo espacial mais longo já realizado por cães, com uma duração de quase 22 dias. Essa marca, alcançada em 1966, permanece inalterada até hoje, sendo reconhecida por fontes como o Guinness World Records.
Cientistas soviéticos escolheram cães por considerá-los animais capazes de suportar longos períodos de inatividade. Eles priorizavam cães de rua por sua suposta maior tolerância ao estresse e fêmeas por questões de adaptação aos trajes de coleta de resíduos, segundo registros históricos do programa.
Ambos os cães retornaram vivos à Terra. Embora tenham apresentado graves problemas de saúde devido à longa permanência no espaço, eles passaram por um período de recuperação e se readaptaram à vida sob a gravidade terrestre. A missão foi considerada um sucesso por ter trazido seus ocupantes de volta com vida, fornecendo dados valiosos.
A missão de Veterok e Ugolyok é um marco na história da exploração espacial. Ela não apenas estabeleceu um recorde duradouro, mas também forneceu informações vitais sobre os perigos da microgravidade e da radiação, que foram fundamentais para a segurança das futuras missões tripuladas. Ao mesmo tempo, a história deles destaca o papel controverso dos animais nos primórdios da corrida espacial, que serviram como pioneiros em jornadas que ainda eram muito arriscadas para os humanos.
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