O fenômeno El Niño deve atingir seu pico de intensidade até dezembro, trazendo chuvas volumosas ao Sul e calor intenso ao Centro-Norte do Brasil. Saiba quais são as áreas de maior risco e os impactos para a agricultura.
Olyvio Marques
Editor · Clima · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O Brasil enfrentará um final de ano de extremos climáticos sob a influência de um El Niño de forte intensidade, com pico previsto entre outubro e dezembro de 2026. Atualizado em 3 de outubro de 2026, o cenário traçado por meteorologistas aponta para um contraste acentuado entre as regiões do país: enquanto o Sul se prepara para chuvas que podem superar 500 mm em curtos períodos, áreas do Centro-Oeste e Norte sentirão os efeitos do calor intenso e da seca.
O fenômeno climático, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, deve atingir intensidade muito forte, com uma probabilidade superior a 95%, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). As previsões indicam que o El Niño deve persistir pelo menos até o primeiro trimestre de 2027, com potencial para se tornar um dos episódios mais intensos desde 1950.
A Região Sul do Brasil permanecerá sob risco de chuvas volumosas e frequentes até o final do ano. Projeções indicam que, em um intervalo de 30 dias, os acumulados podem atingir entre 400 mm e 500 mm em cidades como Chapecó (SC), e se aproximar de 500 mm em Cruz Alta (RS). O principal alerta, segundo a SpaceMoney, não é apenas o volume total, mas a concentração de grandes volumes em janelas curtas, o que eleva o risco de alagamentos e deslizamentos. O excesso de umidade já dificulta operações no campo, como o plantio da soja e a colheita de inverno.
Em contrapartida, o cenário para o centro-norte do país é de tempo seco e temperaturas elevadas. Em novembro, o calor deve se intensificar no oeste do Paraná, com máximas que podem chegar a 37°C ou 38°C. Frentes de instabilidade podem trazer pancadas de chuva para o interior de São Paulo, Goiás, Mato Grosso e sul de Minas Gerais, com possibilidade de ventos fortes e granizo. No Norte e Nordeste, a seca já se agrava, com um aumento no número de municípios em situação de seca extrema, afetando a captação de água e a navegação em rios importantes, conforme dados do Cemaden.
O setor agrícola é um dos mais sensíveis aos extremos climáticos. No Sul, o excesso de umidade favorece a proliferação de doenças fúngicas, como a ferrugem asiática na soja, e pode deteriorar a qualidade de grãos de inverno, como o trigo. Além disso, tempestades no início do plantio podem causar erosão e forçar o replantio, segundo o Sistema FAEP. No Centro-Norte, a combinação de pouca chuva e calor intenso pode prejudicar culturas como soja e café, além de afetar os rebanhos do semiárido.
A previsão é de um El Niño com intensidade forte a muito forte, com pico entre outubro e dezembro. A probabilidade de o fenômeno se manter é superior a 95%, persistindo até o primeiro trimestre de 2027.
A Região Sul será a mais afetada por chuvas volumosas e frequentes, com destaque para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, onde os acumulados podem superar 500 mm em 30 dias.
O calor será mais intenso em áreas do Centro-Oeste e no oeste do Paraná, com temperaturas máximas podendo alcançar 38°C. As regiões Norte e Nordeste também enfrentarão um agravamento da seca.
O último trimestre de 2026 será marcado por um El Niño intenso, que dividirá o Brasil com extremos climáticos. A Região Sul enfrentará o desafio de chuvas excessivas, com impactos diretos na agricultura e risco de desastres naturais, enquanto o Centro-Norte lidará com o calor e a seca. O monitoramento constante das condições meteorológicas é essencial para mitigar os prejuízos no campo e garantir a segurança da população.
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