A população do kākāpō, papagaio mais pesado do mundo, chegou a 325 aves após uma temporada recorde com 90 filhotes. Entenda o sucesso do programa.
Olyvio Marques
Editor · Animais · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O kākāpō, papagaio neozelandês que não voa e se reproduz a cada quatro anos, atingiu um marco histórico em sua luta contra a extinção. A população da espécie chegou a 325 indivíduos após a temporada reprodutiva de 2026, que terminou com um recorde de 90 filhotes sobreviventes, segundo o Departamento de Conservação da Nova Zelândia. Atualizado em 18 de setembro de 2026.
O kākāpō (Strigops habroptilus) é uma ave endêmica da Nova Zelândia com características únicas. Considerado o papagaio mais pesado do mundo, com machos podendo atingir 4 quilos, ele é noturno e incapaz de voar, deslocando-se pelo chão. Sua reprodução é um dos fatores de sua raridade: ocorre apenas a cada dois a quatro anos, sincronizada com a frutificação abundante das árvores rimu, conforme relatado pela CNN Brasil.
Outra particularidade é seu sistema de acasalamento, conhecido como "lek". Os machos se reúnem em uma área para emitir vocalizações graves, chamadas de "booms", que podem ser ouvidas a quilômetros de distância para atrair as fêmeas. Após o acasalamento, o macho não participa da criação dos filhotes.
A recuperação do kākāpō é um dos casos mais emblemáticos de conservação. Em 1995, a população havia caído para apenas 51 indivíduos, de acordo com dados do programa de recuperação. A introdução de predadores como gatos e arminhos no país foi um dos principais fatores que levaram a espécie ao declínio, como aponta o site Aventuras na História.
O programa de conservação, iniciado oficialmente em 1995, utiliza tecnologia e manejo intensivo para proteger a espécie. Cada ave usa um transmissor de rádio, permitindo o monitoramento constante de sua localização e atividade. Durante a reprodução, técnicas como incubação artificial, alimentação suplementar e transferência de ovos entre ninhos são usadas para maximizar a sobrevivência e a diversidade genética.
Os 90 filhotes que sobreviveram até os 150 dias de vida em 2026 representam a temporada mais bem-sucedida já registrada pelo programa. Para efeito de comparação, nas primeiras décadas do projeto, foram necessários 16 anos para alcançar um número semelhante de filhotes sobreviventes. O sucesso também marca uma mudança na estratégia de conservação: com o aumento da população, os pesquisadores estão testando uma abordagem com menos intervenção, preparando a espécie para um futuro mais independente.
Apesar do marco de 325 aves, o kākāpō continua classificado como criticamente ameaçado e enfrenta desafios como baixa diversidade genética, doenças e a necessidade de habitats seguros e livres de predadores.
A população total de kākāpō atingiu 325 indivíduos em setembro de 2026, após a adição de 90 filhotes da temporada reprodutiva. Este é o maior número registrado desde o início do programa de recuperação em 1995.
O kākāpō é uma espécie de papagaio que evoluiu na Nova Zelândia em um ambiente com poucos predadores terrestres, o que o levou a perder a capacidade de voar. Ele se adaptou a um estilo de vida terrestre, desenvolvendo pernas fortes para caminhar e escalar.
A reprodução do kākāpō ocorre de forma irregular, geralmente a cada dois a quatro anos. O ciclo está diretamente ligado à produção em massa de frutos da árvore rimu, que serve de principal alimento para os filhotes.
O recorde de filhotes de kākāpō em 2026 é uma vitória para a conservação, demonstrando que esforços conjuntos de monitoramento, tecnologia e proteção de habitat podem reverter o caminho da extinção. Embora a população de 325 aves seja um marco, a espécie ainda depende de cuidados intensivos para garantir sua sobrevivência a longo prazo.
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