Conheça a história de Nana, a foca que viajou 200 km no mar da China para retornar a uma ilha habitada. Especialistas explicam o forte vínculo com humanos.
Olyvio Marques
Editor · Animais · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 27 de setembro de 2026. Uma foca-comum de dois anos, chamada Nana, comoveu a China ao nadar cerca de 200 quilômetros para retornar à Ilha Dachangshan, um local onde criou fortes laços com humanos. O animal, que já havia sido solto na natureza duas vezes, insiste em voltar para a área habitada, em um comportamento que especialistas atribuem à sua memória e a uma associação entre a presença humana e a sensação de segurança.
Em 7 de setembro, Nana foi solta no oceano por especialistas, mas reapareceu na ilha apenas seis dias depois, em 13 de setembro, conforme relatado pelo jornal South China Morning Post. A impressionante travessia de 200 km foi confirmada por um equipamento de rastreamento fixado em seu corpo. Pescadores locais que a avistaram notaram que ela parecia visivelmente mais magra após o esforço.
A história de Nana começou em setembro de 2024, quando foi encontrada ainda filhote e com ferimentos em uma praia na região de Guangxi Zhuang, após a passagem de um tufão. Após receber cuidados, ela foi transferida em novembro de 2025 para uma base de proteção de animais marinhos, onde passou por treinamento para se readaptar à vida selvagem. Esta não foi a primeira vez que ela retornou. Em uma tentativa anterior, em abril, Nana foi solta com outras quatro focas, mas foi a única que não se integrou a um grupo selvagem, preferindo permanecer na Ilha Dachangshan.
Segundo Wang Xin, pesquisador de meio ambiente marinho da Universidade Oceânica de Dalian, o comportamento de Nana é motivado por seu instinto e memória. "Ela foi cuidada por humanos durante um longo período e, por isso, associou a presença humana à segurança", explicou o especialista. Wang também destacou que a Ilha Dachangshan oferece condições favoráveis para o animal, como boa qualidade da água e abundância de alimentos, como peixes e camarões.
Diante da popularidade do caso, as autoridades locais adotaram uma política de "não intervenção e não alimentação". O governo do condado de Changhai emitiu um comunicado pedindo que moradores e turistas não se aproximem, alimentem ou perturbem Nana, pois isso poderia dificultar sua adaptação à vida selvagem e causar estresse. A foca-comum (Phoca vitulina) é uma espécie protegida de primeira classe na China, o nível mais alto de proteção do país.
Nana foi resgatada filhote em 2024 após um tufão na China. Depois de ser cuidada por humanos, foi solta duas vezes no oceano, mas sempre retorna à ilha onde se sente segura, chegando a nadar 200 km para isso.
Especialistas acreditam que, por ter sido cuidada por humanos por muito tempo, Nana associa a presença de pessoas à segurança e ao alimento, o que a motiva a retornar para a área habitada.
Nana é uma foca-comum (Phoca vitulina), uma espécie que possui o mais alto nível de proteção para animais selvagens na China, sendo classificada como de primeira classe.
A história de Nana destaca o complexo desafio de reintroduzir animais selvagens que criaram vínculos com humanos. Enquanto as autoridades monitoram sua adaptação, a jornada da foca continua a fascinar o público, servindo como um lembrete do impacto duradouro do contato entre a vida selvagem e as pessoas.
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